Livia Galdinodivulgação

Desde a Rio-92, realizada no Rio de Janeiro, o Brasil tem desempenhado papel de destaque na construção da agenda ambiental global. Ao longo das últimas décadas, importantes compromissos internacionais foram estabelecidos para conter a perda de biodiversidade e promover o desenvolvimento sustentável, entre eles as Metas de Aichi, integrantes do Plano Estratégico para a Biodiversidade 2011–2020. No entanto, nenhuma das 20 metas foi plenamente alcançada em nível global, evidenciando os desafios ainda existentes para transformar compromissos em resultados concretos.

Em resposta a esse cenário, a ONU lançou, em 2021, a Década da Restauração de Ecossistemas, iniciativa voltada à recuperação de áreas degradadas. Nesse contexto, o Brasil assumiu o compromisso de restaurar 12 milhões de hectares até 2030 e, ao sediar a COP30 em Belém, reforçou seu protagonismo nos debates sobre clima e biodiversidade. Embora o desmatamento ainda represente um grande desafio, dados do MapBiomas apontam avanços desde 2023, com redução das áreas desmatadas e fortalecimento das ações de recuperação da vegetação nativa. Os resultados mostram que é possível conciliar desenvolvimento e preservação ambiental.

Esses avanços ganham ainda mais relevância diante dos impactos das mudanças climáticas, que afetam ecossistemas e populações, especialmente nas regiões tropicais. Nesse contexto, as florestas desempenham papel estratégico na proteção da biodiversidade e no enfrentamento da crise climática, atuando como importantes sumidouros de carbono. Por isso, iniciativas de restauração ecológica tornam-se fundamentais para fortalecer serviços ecossistêmicos como regulação hídrica, estabilidade do solo, sequestro de carbono e manutenção da biodiversidade.

No âmbito da cidade, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima do Rio de Janeiro (SMAC) desenvolve ações de adaptação climática, conservação ambiental e mobilização social. Destaca-se o Programa Mutirão Reflorestamento, criado em 1986, e que completará 40 anos em novembro de 2026. Nesse período, o programa atuou em 92 bairros, implantou 189 áreas de reflorestamento e trabalhou em mais de 3.400 hectares da Mata Atlântica carioca. Além de restaurar encostas, nascentes, manguezais e áreas degradadas, suas ações contribuem para reduzir riscos de deslizamentos e enchentes, amenizar ilhas de calor e ampliar a captura de carbono. A SMAC também promove programas como Guardiãs das Matas, Guardiões dos Rios e Fábrica Verde, que integram educação ambiental, inclusão social e conscientização climática.

O município possui ainda 69 Unidades de Conservação da Natureza, sendo 26 de proteção integral, que abrangem cerca de 38% do território municipal. Essas áreas desempenham papel fundamental na preservação da biodiversidade, na proteção dos recursos hídricos, na estabilização de encostas e na regulação térmica urbana; funcionando, assim, como importantes zonas de resfriamento climático em períodos de calor extremo.

Com o Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado em 5 de junho, fica o convite para refletirmos sobre nosso papel na proteção e preservação dos recursos naturais e na construção de um Rio de Janeiro mais limpo, verde, resiliente e preparado para os desafios das mudanças climáticas.
Livia Galdino é secretária municipal de Meio Ambiente e Clima e bióloga