Juan Fernando González G.Divulgação
Ao folhear os livros de Rosenbaum, torna-se imediatamente evidente que o conteúdo de cada um deles deriva de uma profunda exploração das emoções humanas. Isso explica por que a homeopatia e a literatura compartilham muito mais pontos em comum do que se poderia imaginar à primeira vista.
Esta não é uma incursão superficial no campo artístico. Para Rosenbaum, a escrita literária faz parte do mesmo impulso que norteia sua prática médica: compreender o ser humano em sua totalidade. Portanto, sua obra se justapõe, visto que seus escritos médicos possuem uma sensibilidade narrativa, e suas histórias de ficção não podem ser dissociadas da perspectiva clínica que acompanha o autor desde a juventude.
Da medicina às palavras: um caminho coerente.
O trabalho de Rosenbaum começou no campo da Homeopatia, com títulos que contribuíram para a formação de diversas gerações de médicos no Brasil, incluindo os seguintes:
Homeopatia: história lógica da arte de cuidar.
Fundamentos da Homeopatia
Medicina do Sujeito.
Homeopatia, medicina interativa.
Entre arte e ciência.
Novíssima Medicina (o ethos do cuidado).
Miasmas
O Outro Código da Medicina
Esses textos revelam uma preocupação que vai além do estritamente técnico. Rosenbaum não se limita a explicar a Homeopatia como um sistema terapêutico clínico, mas busca fundamentá-la a partir de uma perspectiva mais ampla, incorporando elementos filosóficos, históricos e hermenêuticos.
Sua proposta é clara e gira em torno de uma ideia central: “A medicina deve se concentrar no indivíduo, não na doença isolada.” Esse princípio aparentemente simples transforma a relação clínica em um exercício interpretativo, no qual o médico também se torna um leitor de histórias.
Com o tempo, essa preocupação encontrou outra forma de expressão: o romance, os contos e as narrativas. Isso permitiu que Rosenbaum expressasse sua paixão pela humanidade por meio de histórias em que manifestações de amor, ódio, ciúme, raiva, inveja, euforia, dor e empatia convergem, se sobrepõem ou surgem repentinamente na tela.
Foi em 2010 que Rosenbaum publicou seu primeiro romance: ‘Verdade Lançada ao Solo’ (Editora Record), uma história em três partes que se baseia na tradição judaica para questionar o lugar da humanidade na Terra. Neste livro singular, com sua rara originalidade autoral, conexões inusitadas e metáforas poderosas perturbam o leitor em uma trama densa que mescla drama, aventura, religião e política.
Em 2013, Rosenbaum ganhou uma bolsa literária e o resultado foi a publicação de ‘Céu Subterrâneo’ em 2016 pela Editora Perspectiva. Segue uma breve resenha desta obra:
“No princípio, caos e angústia. Depois, aventura. Seria a Caverna de Machpelá, em Hebron, realmente o Túmulo dos Patriarcas, e do primeiro homem ou de seu protótipo, Adão Kadmon? Seriam encontradas ali as respostas para todas as dúvidas, a solução para todos os conflitos? Como escapar da racionalidade caótica e sufocante da vida moderna sem se perder na acolhedora caverna das certezas inquestionáveis da ortodoxia?”
A jornada profundamente pessoal do protagonista — do Brasil a Israel, do futuro que nunca chega ao passado que nunca passa — a busca para desvendar uma imagem que não deveria existir e a viagem a um lugar onde ninguém pode ir: Hebron, morada do além e do que há de mais próximo da História, onde a tradição é consagrada como o local de descanso final de seus fundadores e o palco da próxima batalha em uma guerra sem fim — se tornará a revelação do próprio fundamento da existência. Um único símbolo expressa a matéria da qual a vida e a arte são compostas. ‘Céu Subterrâneo’ é uma descida sem rede de segurança ao mais profundo mistério, que, sem ser dita, revela a verdade que nos diz respeito a todos. E essa verdade não está lá fora.
Em 2023 publica o romance ‘Navalhas Pendentes’ (Alta Books/Almedina) apresenta uma história e os mistérios que envolvem Homero Montefiore e a indústria editorial e que segundo Lyslei Nascimento “O romance de Paulo Rosenbaum, é, sobretudo, uma armadilha que, entre citações, ironias e referências intertextuais, arma e desarma a leitura. A trama põe em perspectiva a sanidade do narrador e a linearidade da história. Complô, ilusão e farsa fazem do enredo um labirinto e fazem multiplicar realidades instáveis ou fantasias existenciais de um protagonista que, aparentemente, não merece muita credibilidade.”
‘Não Envelhecerás e Outras Histórias’. O universo em que essas histórias estão inscritas (Editora Almedina selo Minotauro, 2026) “é formado por recombinações e fragmentos de ideias. Apesar da tendência de subestimar os contos, as micro-histórias continuam a forjar uma tradição literária ainda não totalmente explorada. Elas são portais para ficções embrionárias e frequentemente revelam, em sua concisão, a arte que é o poder da síntese.
Em ‘Decifrando Dédalo’, acompanhamos a jornada do escritor Jorge Luis Borges em uma de suas viagens a Londres, onde foi convocado para examinar um manuscrito misterioso. Borges perceberá que não é mais o mesmo, pois "a pintura está no espaço e a poesia, no tempo".
Em outra história, intitulada ‘O Mundo Editado’, a vida agitada do pesquisador Jonas Belli se entrelaça com sua investigação sobre a vida do Professor Idel Targum, que, em um dia tristemente comum, se depara com o labirinto de sua própria biblioteca.
Em ‘A pele que nos divide’ ... quem imaginaria que, em 11 de setembro, dia do ataque às Torres Gêmeas, na mesma Nova York lacônica e indiferente às vidas individuais, duas pessoas se encontrariam sob o impulso de uma atração instantânea?
‘Extinção’ apresenta um retrato do futuro quase provável do gênero masculino. Em ‘Rivellino e as Partículas Erráticas’, a memória de um irmão falecido prematuramente ressurge daquilo que o físico Mário Schenberg definiu como 'parafísica'.”
Finalmente, em ‘Presságio’, uma escalada ao topo do Kilimanjaro, na África, pode levar a premonições, enquanto Fairbanks revela o aspecto enigmático dos sonhos.
Em relação à sua arte, Cintia Moscovich, escritora e jornalista brasileira, mestre em Teoria Literária e professora de oficinas literárias, resume o trabalho mais recente de Rosenbaum da seguinte forma:
“Neste livro, Paulo Rosenbaum encontra seu lugar ao lado dos mini-cronistas e microescritores, um panteão de autores que, de Augusto de Monterroso a Dalton Trevisan, penetraram no âmago das histórias, extraindo toda a essência do necessário. Com um texto consistentemente preciso e elegante, Rosenbaum mergulha nas recombinações de possibilidades e fragmentos de ideias, fomentando o diálogo com a tradição e forjando novas relações.”

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