Júlia Bochner (E), Rodrigo Mascarenhas e Marie IkemotoDivulgação
Embora as metas sejam negociadas internacionalmente, estados e municípios decidem sobre áreas protegidas, fiscalização, licenciamento, restauração e uso do solo. Por isso, a biodiversidade deve integrar as políticas públicas e as decisões de desenvolvimento.
O Rio de Janeiro chega à COP17 com essa perspectiva. Este ano, o Rio tornou-se o primeiro estado brasileiro a publicar sua Estratégia e Plano de Ação Estadual para a Biodiversidade, com horizonte em 2030, traduzindo compromissos internacionais para um território de pouco mais de 43 mil km², inteiramente inserido na Mata Atlântica.
Há motivos para manter o otimismo. Entre 1985 e 2025, o Rio de Janeiro foi o único estado do Brasil a registrar ganho de cobertura florestal, em grande parte pela regeneração natural nas bordas de remanescentes.
Desde 2016, o programa Olho no Verde usa imagens de satélite para identificar desmatamentos ilegais e orientar a fiscalização. Há três anos, o Estado também aplica embargos remotos.
Na proteção dos remanescentes, o Estado já alcançou a meta global de proteger 30% das áreas terrestres até 2030. Unidades de conservação federais, estaduais e municipais cobrem 30% do território fluminense e abrigam importantes remanescentes de Mata Atlântica.
No mar, o cenário ainda exige avanços: apenas 11% das águas fluminenses estão protegidas. Entre as iniciativas em curso está a proposta de criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Marinha Urupirá, com cerca de 3 mil hectares na Zona Oeste do Rio, concebida para conciliar conservação da biodiversidade, pesca artesanal, proteção das comunidades tradicionais e turismo.
Na restauração florestal, o programa Florestas do Amanhã já atua em 1.273 hectares de 18 municípios, com R$ 100 milhões em investimentos, e prevê restaurar outros 5 mil hectares com apoio do BNDES, da Cedae e do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). Já o Conexão Mata Atlântica remunera produtores pela conservação e restauração e incentiva práticas sustentáveis.
Biodiversidade e clima não podem mais ser tratados como agendas separadas: as mudanças climáticas ameaçam espécies e ecossistemas, enquanto áreas naturais conservadas reduzem seus impactos. No Rio de Janeiro, proteger florestas, manguezais e restingas é também proteger cidades, recursos hídricos e produção de alimentos.
Ampliar essas ações exige financiamento. Em julho de 2026, o Fundo da Mata Atlântica - mecanismo inovador criado no Estado - administrava cerca de R$ 793 milhões. Com apoio da Iniciativa de Financiamento da Biodiversidade (BIOFIN), do PNUD, o Rio de Janeiro também busca diversificar fontes de recursos e ampliar investimentos públicos e privados em conservação e restauração.
Além do financiamento, é preciso superar lacunas de conhecimento, monitoramento e capacidade operacional. O concurso do Inea ajudará a reforçar essa estrutura, enquanto a estratégia estadual deve orientar decisões sobre território, orçamento e prioridades de governo.
O tempo é curto: 2030 está logo ali. O Rio de Janeiro chega à COP17 com resultados a compartilhar e desafios a superar. O RJ, pioneiro na criação do licenciamento ambiental no Brasil, no fim dos anos 1970, tem agora a oportunidade de reafirmar essa liderança, transformando a conservação da biodiversidade em uma política permanente de Estado, conectada ao desenvolvimento e às necessidades da população.

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