Guilherme Fonseca destaca que Porciúncula é uma cidade construída pela contribuição de seu povo negro Foto Divulgação
Igualdade racial tem promoção reforçada em Porciúncula por meio de estatuto
Sancionada no dia 17 de novembro, lei que cria o regulamento marcou a 1ª Semana da Consciência Negra do município
Porciúncula – A política pública de enfrentamento às desigualdades raciais e de valorização da contribuição do povo negro para o município, para a região e para o Brasil é consolidada em Porciúncula (RJ), por meio do Estatuto Municipal de Promoção da Igualdade Racial. A iniciativa está garantida em lei sancionada pelo Prefeito Guilherme Fonseca.
A lei vigora desde o dia 17 de novembro, por ocasião da 1ª Semana da Consciência Negra de Porciúncula, marcando a abertura da agenda institucional anual focada no fortalecimento das práticas culturais e educativas alusivas à temática. Fonseca defende que somente com políticas públicas eficazes e permanentes se conseguirá avançar na reparação histórica.
Com a sanção do Estatuto, o município se posiciona como referência regional na construção de políticas públicas de igualdade racial: “Porciúncula é uma cidade construída pela contribuição de seu povo negro. Reconhecer essa história e atuar para superar desigualdades é garantir o futuro que desejamos para todos. O Estatuto é um marco histórico que inaugura um ciclo de políticas permanentes, integradas e contínuas”, assinala o prefeito.
“Porciúncula dá um passo essencial para construir uma cidade mais justa, plural e igualitária”, enfatiza pontuando que atividades de valorização da cultura negra, debates sobre educação antirracista, formações de professores, ações culturais e rodas de conversa vêm sendo realizadas desde o início da gestão.
“A Semana da Consciência Negra funcionou como uma culminância dessas ações, mas não como um ponto isolado”, conclui Fonseca. Responsável pela elaboração técnica do Estatuto e ex-gestor do primeiro Centro de Referência em Direitos Humanos de Porciúncula e do Noroeste Fluminense, o professor Juliano Cesar avalia o Estatuto.
“Este documento consolida um compromisso político necessário e inadiável; ele formaliza dispositivos de promoção da igualdade, institui ações estruturais de enfrentamento ao racismo e direciona políticas de reparação histórica”, diz o professor frisando que o município passa a ter, além da norma nacional, uma lei própria.
PONTOS PRINCIPAIS - Entre os principais pontos do Estatuto estão: criação do Sistema Municipal de Financiamento das Políticas de Promoção da Igualdade Racial, garantindo recursos e parcerias; promoção da saúde integral da população negra, com enfrentamento ao racismo institucional; educação antirracista, com incentivo à implementação da Lei 10.639/2003.
Também estão previstos valorização da cultura negra, apoiando manifestações tradicionais e contemporâneas como jongo, samba, hip-hop, grafite, funk e expressões de matriz africana; reconhecimento de mestres e mestras dos saberes tradicionais; ampliação da participação da juventude e das mulheres negras nas políticas públicas; enfrentamento ao racismo institucional, com protocolos de atendimento e formação permanente para servidores.
Estão ainda definidos mecanismos para responsabilizar práticas discriminatórias no setor público e privado; reforço na proteção à liberdade religiosa (especialmente no combate ao racismo religioso) e medidas específicas para comunidades quilombolas, além de prever monitoramento contínuo sobre violações de direitos.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.