Prefeito do Rio sanciona lei que cria política de proteção a pessoas refugiadas e migrantes

Proposta foi apresentada na Câmara após o assassinato do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, em janeiro deste ano

Moïse Kabagambe, congolês morto espancado em quiosque da Barra da TijucaReprodução
Publicado 22/12/2022 10:34
Rio – O prefeito Eduardo Paes sancionou, nesta quarta-feira (21), a Lei 7.730/22, que cria políticas de proteção aos direitos de refugiados e migrantes. O texto, de autoria da vereadora Thais Ferreira (Psol) e coautoria de outros seis parlamentares, busca garantir às pessoas refugiadas, imigrantes e suas famílias, o acesso a direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal.

A política criada pelo Executivo deverá, então, assegurar direitos como a isonomia no tratamento, efetivação dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, garantia aos serviços públicos, inclusive na facilitação de identificação através dos documentos que essa população possuir. É fundamental também a publicização dessas condições.

A agora lei foi apresentada na Câmara após o assassinato do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, em janeiro deste ano. Na justificativa do projeto, os parlamentares alegaram que o caso, além de chamar a atenção do Poder Público para esta população, "evidencia os efeitos do racismo e da xenofobia".

Moïse teria tido mãos e pés amarrados e foi espancado até a morte por três homens, com pedaço de madeira e um taco de beisebol, após cobrar um pagamento atrasado. Ele morreu no local. O caso foi levado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Uma perícia no corpo de Moïse indicou que a causa da morte foi traumatismo do tórax com contusão pulmonar e também vestígios de broncoaspiração de sangue. O documento revelou também lesões concentradas nas costas e o tórax aberto, com os órgãos dentro.

Três homens, identificados como Fábio Pirineus da Silva, conhecido como Belo, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, o Dezenove, e Brendon Alexander Luz da Silva, de apelido Tota, foram indiciados pela DHC por assassinato duplamente qualificado. As qualificações foram por conta do meio cruel e por não ser possível a defesa da vítima.

Inconformada, a família do jovem cogitou ir embora do Brasil e voltar para a República Democrática do Congo. O desejo foi revelado durante um protesto, em que mãe, irmão e milhares de pessoas, que se revoltaram com a morte brutal, foram para a frente do quiosque à beira mar, onde o congolês trabalhava, o Tropicália.

Em março, o estabelecimento foi processado pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) por trabalho escravo. O MPT alegava que a carga horária dos funcionários era excedida, enquanto recebiam apenas um pagamento variável, que podia chegar a zero.

Em junho, a família do jovem congolês inaugurou o Quiosque Moïse, no Parque Madureira, na Zona Norte. O local também foi transformado em um memorial e um ponto de celebração da cultura congolesa.
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Prefeito do Rio sanciona lei que cria política de proteção a pessoas refugiadas e migrantes

Proposta foi apresentada na Câmara após o assassinato do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, em janeiro deste ano

Moïse Kabagambe, congolês morto espancado em quiosque da Barra da TijucaReprodução
Publicado 22/12/2022 10:34
Rio – O prefeito Eduardo Paes sancionou, nesta quarta-feira (21), a Lei 7.730/22, que cria políticas de proteção aos direitos de refugiados e migrantes. O texto, de autoria da vereadora Thais Ferreira (Psol) e coautoria de outros seis parlamentares, busca garantir às pessoas refugiadas, imigrantes e suas famílias, o acesso a direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal.

A política criada pelo Executivo deverá, então, assegurar direitos como a isonomia no tratamento, efetivação dos direitos de crianças, adolescentes e jovens, garantia aos serviços públicos, inclusive na facilitação de identificação através dos documentos que essa população possuir. É fundamental também a publicização dessas condições.

A agora lei foi apresentada na Câmara após o assassinato do congolês Moïse Mugenyi Kabagambe, de 24 anos, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, em janeiro deste ano. Na justificativa do projeto, os parlamentares alegaram que o caso, além de chamar a atenção do Poder Público para esta população, "evidencia os efeitos do racismo e da xenofobia".

Moïse teria tido mãos e pés amarrados e foi espancado até a morte por três homens, com pedaço de madeira e um taco de beisebol, após cobrar um pagamento atrasado. Ele morreu no local. O caso foi levado para a Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).

Uma perícia no corpo de Moïse indicou que a causa da morte foi traumatismo do tórax com contusão pulmonar e também vestígios de broncoaspiração de sangue. O documento revelou também lesões concentradas nas costas e o tórax aberto, com os órgãos dentro.

Três homens, identificados como Fábio Pirineus da Silva, conhecido como Belo, Aleson Cristiano de Oliveira Fonseca, o Dezenove, e Brendon Alexander Luz da Silva, de apelido Tota, foram indiciados pela DHC por assassinato duplamente qualificado. As qualificações foram por conta do meio cruel e por não ser possível a defesa da vítima.

Inconformada, a família do jovem cogitou ir embora do Brasil e voltar para a República Democrática do Congo. O desejo foi revelado durante um protesto, em que mãe, irmão e milhares de pessoas, que se revoltaram com a morte brutal, foram para a frente do quiosque à beira mar, onde o congolês trabalhava, o Tropicália.

Em março, o estabelecimento foi processado pelo Ministério Público do Trabalho do Rio de Janeiro (MPT-RJ) por trabalho escravo. O MPT alegava que a carga horária dos funcionários era excedida, enquanto recebiam apenas um pagamento variável, que podia chegar a zero.

Em junho, a família do jovem congolês inaugurou o Quiosque Moïse, no Parque Madureira, na Zona Norte. O local também foi transformado em um memorial e um ponto de celebração da cultura congolesa.
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