Diogo Viola de Nadai foi preso suspeito de envolvimento na morte de Letycia Peixoto FonsecaReprodução / Redes sociais

Rio - O professor Diogo Viola de Nadai, preso na terça-feira passada (7) por ser o suspeito de ser o mandante do assassinato da companheira Letycia Peixoto Fonseca, grávida de oito meses, está isolado em uma cela no Presídio Diomedes Vinhosa Muniz, em Itaperuna, no Norte Fluminense.
A unidade penitenciária fica no município vizinho de Campos, onde aconteceu o assassinato. De acordo com a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), Nadai está sozinho, assim como os suspeitos de executarem o crime, que estão no mesmo presídio. Os isolamentos acontecem para não prejudicar as investigações sobre o feminicídio.
Nesta terça-feira (14), agentes da 134ª DP (Campos dos Goytacazes) e equipes do Corpo de Bombeiros realizaram buscas no Rio Ururaí para encontrar a arma e a moto utilizadas no crime. As buscas foram feitas por mergulhadores e acontece baseada em informações de que os autores e o dono da moto seriam da localidade, onde um deles inclusive teria sido preso, escondido num matagal. Os objetos ainda não foram encontrados.
Tentativa de acobertar participação no crime
A delegada Natália Patrão, titular das investigações, disse, na noite desta segunda-feira (13), que Diogo de Nadai pode ter usado o Instituto Federal Fluminense (IFF) de Guarus, onde dava aula de química, como álibi para esconder sua participação e acobertar sua conduta na semana do crime.
De acordo com a delegada, o crime foi tentado no dia 28 de fevereiro, no dia 1º de março e consumado apenas na noite do dia 2 deste mês. Os investigadores compararam a presença do professor na unidade na semana quando aconteceu o crime com o ano letivo de 2022. Segundo Patrão, Diogo faltava muitas aulas e pediu licenças para não atuar em determinadas partes do ano passado.
Contudo, na semana do crime ele ficou horas na unidade, até no dia em que não daria aula. Na terça-feira (2), dia do assassinato, testemunhas contaram que o professor não mostrou abalo emocional e saiu antes do término do horário da aula.
"Nós temos relatos nos autos que esse crime estava tentando ser consumado dias antes da sua efetiva consumação. Há relatos que ele foi tentado na terça, na quarta e consumado na quinta. Isso é exatamente compatível com a frequência na universidade. Exatamente na semana do crime, o suposto mandante adotou comportamento completamente atípico e não habitual se comparado com toda a sua frequência de acordo com o ponto biométrico de 2022. Isso faz inferir que exatamente na semana do crime pode ter havido por ele a intenção de estar presente na faculdade para criar um álibi para acobertar a sua conduta e disfarçar a sua participação", contou a delegada.
Para a Polícia Civil, o crime foi premeditado e que a hipótese de motivação foi passional. Imagens mostram que o suspeito de ser o mandante do crime estava no enterro da companheira e do filho e chegou a segurar o caixão do bebê momentos antes de enterrar.
Relembre o caso
Letycia, de 31 anos, grávida de oito meses, foi assassinada a tiros na noite do dia 2 em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, depois de chegar do trabalho por volta das 21h30. Ela conversava com a mãe, em frente ao portão de casa, quando foi surpreendida por dois criminosos em uma moto. Os médicos conseguiram realizar o parto e o bebê nasceu, mas ele também não resistiu horas depois.
Imagens gravadas pelo sistema de segurança de uma casa vizinha mostram dois homens, ambos de capacete e blusa de frio, se aproximando do carro e disparando cinco vezes contra a engenheira, que foi atingida na face, duas vezes no tórax, no ombro e na mão esquerda.
No momento em que os bandidos estavam fugindo, a mãe da vítima tentou segurar um dos criminosos, chegando a se atracar com ele, e acabou sendo atingida na perna esquerda. Letycia foi levada para o Hospital Municipal Ferreira Machado, no Centro, mas não resistiu aos ferimentos.
Os médicos conseguiram realizar o parto do bebê, que foi encaminhado em estado grave ao Hospital da Sociedade Portuguesa de Beneficiência de Campos. A mãe da gestante recebeu atendimento, realizou exames e já teve alta.
O recém-nascido, que veio ao mundo com 30 semanas de gestação e pesando 1.725kg, foi transferido em estado crítico para a UTI Neo Natal "em anóxia severa, constatando o velamento do pulmão esquerdo, insuficiência respiratória, distúrbio de perfusão e bradicardia", segundo a unidade.

Ainda de acordo com o hospital, foram realizadas todas as manobras necessárias para salvá-lo, porém o bebê não resistiu e teve a morte confirmada às 8h do dia 3.