O Colégio Brigadeiro Newton Braga fica localizado na Ilha do Governador, na Zona Norte do RioGoogle Street View

Rio - A direção do Colégio Brigadeiro Newton Braga (CBNB), localizado na Ilha do Governador, na Zona Norte, instaurou um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar as circunstâncias de uma agressão cometida por um policial militar, pai de uma aluna de 15 anos, contra um professor da instituição, após uma denúncia de assédio. O caso ocorreu na última segunda-feira (12).
Segundo a PM, o agente, que estava de folga, compareceu à escola após receber um telefonema da filha relatando ter sido vítima de assédio pelo docente. Em defesa, o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) alega que o professor Gustavo Henrique Cornélio tem sido vítima de perseguição política.

A corporação informou ainda que abriu um procedimento interno para apurar a conduta do agente. De acordo com o comando do 17° BPM (Ilha do Governador), após a denúncia, houve um desentendimento entre as partes e o policial acabou detido por militares da Força Aérea Brasileira.

Em nota, o colégio reforçou que repudia condutas que não representam os valores, a dedicação e o trabalho do efetivo em prol do cumprimento de sua missão institucional. "O CBNB é uma Organização de Ensino Assistencial da Aeronáutica com mais de 60 anos de atuação. A Instituição tem como missão ofertar ensino de qualidade, agregado à formação integral, ética e moral, princípios e valores cultivados no âmbito da Força Aérea Brasileira (FAB)", disse em comunicado.

De acordo com o Sinasefe, o professor, que também é coordenador-geral do sindicato, foi violentamente agredido no estacionamento da escola. “Esse é mais um caso da onda de violência neofascista vivida pelas escolas no país e, no CBNB, não é diferente. Importante destacar que o professor Gustavo vem sofrendo perseguição política no CBNB nos últimos anos e, não por coincidência, desde o início do governo Bolsonaro”, justificou em comunicado.

O sindicato alegou ainda que Gustavo é professor da Aeronáutica há 39 anos, sindicalista pelo mesmo período, e que sempre teve em suas avaliações funcionais anuais excelentes notas e nunca havia sofrido processo disciplinar até o governo Bolsonaro.

“Após a suspensão das eleições internas para diretor e representantes no CBNB, foram abertos 3 Processos Administrativos Disciplinares (PAD) contra o professor Gustavo, sendo que o primeiro decidiu pela sua inocência, com declaração do Ministério Público nos autos do processo de tratar-se de perseguição política. O segundo PAD foi suspenso também pela Justiça Federal pela mesma razão e, no mês passado, novo PAD foi aberto”, disse.

Por fim, a associação informou que repudia quaisquer ações de perseguição, mas não se pronunciou sobre a denúncia de assédio. “A escola deve ser lugar de convivência pacífica, de diálogo e da boa formação humana! Desse modo, esta Seção Sindical declara absoluta solidariedade ao professor Gustavo e afirma que lutará incessantemente para que episódios como esse não se repitam! Diga não à violência nas escolas e à uma das suas faces mais perversas e covardes: a perseguição política!”, finalizou.

Professores demitidos por assédio

Em abril do ano passado, a Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB-RJ) recebeu uma denúncia de um grupo de alunas e ex-alunas do Colégio Brigadeiro Newton Braga, que alegaram terem sofrido assédio sexual por dois professores da instituição. Eles foram demitidos em janeiro deste ano após a conclusão do procedimento administrativo da instituição.
Os abusos teriam ocorrido do ano de 2014 até 2020, enquanto as vítimas ainda eram alunas da unidade e, algumas delas, menores de idade. Algumas relataram ainda que já tinham conhecimento de assédio antes mesmo de 2014. No material fornecido para a OAB, constam prints de aplicativos de mensagens, onde os professores Eduardo Silva Mistura, que lecionava História, e Álvaro Luiz Pereira, responsável pelas aulas de Educação Física, apresentavam um comportamento abusivo de maneira constante com as estudantes.