Rio - Uma comitiva de 16 secretários, executivos e técnicos da Tanzânia National Roads Agency (Tanroads) e da Dar es Salaam Rapid Transit Agency (Dart) chegou ao Rio de Janeiro e terá, nesta quinta-feira (20), uma reunião na CET-Rio, onde a companhia vai apresentar um panorama da infraestrutura cicloviária da cidade.
Ao DIA, o presidente da Rio Cycling, empresa e grupo de ciclismo, Daniel Kullock, disse que a capital carioca tem condições de ter um sistema cicloviário melhor. "O Rio é uma cidade costeira e isso facilita na locomoção dos ciclistas. O problema é que em alguns pontos falta uma malha cicloviária. A Tim Maia, na Niemeyer, ia ser maravilhosa e desabou. Na Barra da Tijuca, a gente vê ciclistas andando na contramão. Podiam aproveitar as ciclovias prontas e interligar com ciclofaixas", disse.
Os ciclistas profissionais não utilizam as ciclovias, pois não é permitido ultrapassar 20 km/h. No início deste mês, inclusive, novas regras entraram em vigor sobre quais tipos e como as bicicletas devem circular. A nova legislação estabelece parâmetros para diferenciar a bicicleta elétrica de ciclomotores, motocicletas e motonetas.
O professor de comunicação da PUC-Rio, Bruno Dieguez, de 41 anos, realiza um percurso diário com uma bicicleta elétrica entre sua casa e o trabalho. "Muitas ciclovias na Zona Sul são uma enganação. Algumas em cima das calçadas e estreitas demais. Por isso, o uso do capacete é importante, pois estes problemas podem ocasionar em acidentes. Sobre o sistema, não há comparação com a Europa que, de fato, a gente consegue percorrer a cidade inteira por ciclovias. O Rio é tão bonito e convidativo para passear de bicicleta, mas poderia ser melhor neste aspecto", concluiu.
Antes da capital carioca, a comitiva da Tanzânia visitou a Cidade do México, onde conheceu os sistemas de transportes e mobilidade urbana da região. No Rio, os profissionais já estiveram na Secretaria Municipal de Transportes e no Centro de Controle Operacional da Mobi-Rio.
A corredora e ciclista Sylvia Pozzobon, 38, disse que enfrenta alguns percalços com as ciclovias que utiliza e ressaltou, principalmente, a falta de sinalização. "Minha maior crítica é que as bicicletas não respeitam o pedestre nas ciclovias. Falta uma sinalização mais clara nesses locais. Além disso, sinto falta da ligação entre a Zona Sul e São Conrado. Eu já quase fui atropelada, pois não tem onde passar de bicicleta pela Niemeyer", reclamou Sylvia.
A reportagem procurou a Prefeitura do Rio, mas ainda não obteve respostas relacionadas às críticas dos ciclistas. O espaço segue aberto para manifestação.
Ciclovia Tim Maia
No feriado de 21 de abril de 2016, a pista suspensa da Ciclovia Tim Maia, que fica entre a Zona Sul e a Zona Oeste, sofreu seu primeiro desabamento, ao ser atingida por uma onda. A queda de um trecho de 26 metros matou o engenheiro Eduardo Marinho Albuquerque, 54, e o gari Ronaldo Severino da Silva, 60, que passavam pelo local.
Trecho de 26 metros da Ciclovia Tim Maia que desabou em 2016Banco de imagens / Agência O Dia
Depois do primeiro desabamento, a prefeitura fechou o trecho que liga o Vidigal a São Conrado, mas, semanas depois, a Justiça mandou interditar também o percurso Leblon-Vidigal. A ciclovia teve seu segundo desabamento em fevereiro de 2018. Cerca de 30 metros do segundo trecho, na saída de São Conrado, cedeu durante um temporal. Após o incidente, a ciclovia foi completamente interditada a pedido do Ministério Público.
Já em janeiro de 2019, um perito designado pela Justiça avaliou que a ciclovia poderia ser reaberta. No dia 25 do mesmo mês, o então prefeito Marcelo Crivella gravou um vídeo atestando a segurança do trecho e afirmou que estrutura havia sido reforçada para resistir ao impacto das ondas. Contudo, após uma semana, chuvas fortes causaram o terceiro desabamento, na altura de São Conrado.
No final do mês passado, a Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria de Infraestrutura, retomou a reconstrução do trecho que desabou em 2019. Uma empresa foi contratada para fazer manutenção permanente da ciclovia no trecho entre São Conrado e o Vidigal. "Ressaltamos ainda que o trecho que desabou em 2016 foi recomposto no mesmo ano", diz a nota enviada ao DIA.
Procurada, a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET-Rio) informou que, desde 2022, 56 estações de transportes de média e alta capacidade (trem, metrô, BRT, barcas e VLT) foram conectadas com ciclofaixas, contabilizando 30 Km. Além disso, foram investidos R$ 4 milhões em sinalização vertical (placas) e horizontal (pinturas).
*Reportagem do estagiário Leonardo Marchetti, sob supervisão de Iuri Corsini
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