Marielle e Anderson foram mortos em março de 2018; Fernanda Chaves sobreviveu ao atentadoArquivo / Agência O Dia

Rio - Fernanda Chaves, assessora que sobreviveu ao atentado contra a vereadora Marielle Franco em março de 2018, afirmou ter recebido com satisfação a notícia do avanço nas investigações após a prisão do ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, suspeito de envolvimento no crime.

Para Fernanda, o assassinato de Marielle foi um crime político. "Um passo importante, sobretudo após um imenso hiato, em que ficamos sem qualquer avanço das investigações e nenhuma manifestação das autoridades sobre esse crime. Esse atentado expôs a vulnerabilidade da nossa democracia e expôs a frágil proteção oferecida aos defensores de direitos humanos", disse Fernanda em nota.
"Seu não esclarecimento só fez contribuir para a sensação de impunidade e ainda macula a legitimidade das instituições garantidoras de justiça e segurança pública do país - e foi assim nos últimos anos. Quem zela pela democracia irá em busca da resposta, justiça e responsabilização", ressalta em nota.

Além disso, Fernanda parabenizou à Polícia Federal. "Parabéns à PF que por determinação do Ministro da Justiça colocou no centro das prioridades a solução do crime", finaliza.
Operação Élpis
A ação, da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), é a primeira fase da investigação que apura os homicídios da vereadora e do motorista Anderson Gomes, além da tentativa de homicídio de Fernanda. Além da prisão de Suel, os agentes também cumpriram sete mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro e na Região Metropolitana.
O ex-bombeiro já havia sido condenado por atrapalhar as investigações, mas cumpria pena em regime aberto. Suel já foi alvo de pelo menos três operações do MPRJ. 
Relembre o caso
Os assassinatos de Marielle e Anderson completaram cinco anos em 2023 sem respostas sobre o mandante do crime. Os dois foram mortos no dia 14 de março de 2018. Em fevereiro desse ano, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que a PF abrisse um inquérito paralelo para auxiliar as autoridades fluminenses.

Nas investigações da Polícia Civil, o avanço mais consistente no caso aconteceu em março de 2019, quando Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos no Rio de Janeiro. O primeiro é acusado de ter atirado em Marielle e Anderson, o segundo, de dirigir o carro usado no assassinato. Quatro anos depois, eles continuam presos, mas não foram julgados. Os dois estão em penitenciárias federais de segurança máxima.