Rio - A filha da vereadora Marielle Franco, Luyara Franco, de 25 anos, afirmou nesta segunda-feira (24) que o avanço nas investigações sobre a morte da mãe traz uma sensação de alívio e angústia.
"Como família, a gente enxerga esse avanço com um sentimento misto, por um lado existe um alívio com a confirmação da participação dos envolvidos no crime e essa prisão no dia de hoje e a esperança que essa colaboração da Polícia Federal e a disposição do ministro Flávio Dino possa ajudar no avanço das investigações", explicou Luyara em vídeo publicado nas redes sociais.
No entanto, ela acredita que já passou tempo demais desde o assassinato de sua mãe e familiares seguem sem respostas. "São mais de 5 anos sem respostas e essa demora gera dor e angústia. A gente continua buscando por justiça acompanhando as investigações e exigindo transparência por parte das autoridades", ressaltou.
Segundo ela, a marcação do júri popular dos envolvidos e o avanço nas investigações em relação aos mandantes do crime são as principais metas da família. "O Brasil, em especial o estado do Rio, passou por muitas rupturas desde o assassinato da minha mãe. As mudanças que ocorreram na chefia da Polícia Civil do Rio durante todos esses anos nos fez questionar a priorização do caso, mas creio que estamos vivendo um momento agora de maior esperança. As reuniões que a gente tem feito com o Ministério Público e a Polícia Federal nos aponta um caminho de maior transparência", completou.
Operação Élpis
O ex-bombeiro Maxwell Simões Corrêa, o Suel, suspeito de envolvimento no crime, foi preso durante a operação da Polícia Federal e do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), nesta segunda-feira (24).
Suel já havia sido condenado por atrapalhar as investigações, mas cumpria pena em regime aberto. A Operação Élpis, é a primeira fase da investigação conduzida pela PF e o MPRJ. Os agentes também cumpriram sete mandados de busca e apreensão na cidade do Rio de Janeiro e na Região Metropolitana.
O ministro da Justiça, Flávio Dino, afirmou durante coletiva de imprensa que a ação se desdobrou de uma colaboração premiada realizada entre 15 e 20 dias atrás por Élcio de Queiroz, preso por ter conduzido o carro durante a execução da vereadora. Dino afirmou que a delação foi homologada pela justiça.
Relembre o caso
Os assassinatos de Marielle e Anderson completaram cinco anos em 2023. Os dois foram mortos no dia 14 de março de 2018. Em fevereiro desse ano, o ministro da Justiça, Flávio Dino, determinou que a PF abrisse um inquérito paralelo para auxiliar as autoridades fluminenses.
Nas investigações da Polícia Civil, o avanço mais consistente no caso aconteceu em março de 2019, quando Élcio de Queiroz e Ronnie Lessa foram presos no Rio de Janeiro. O primeiro é acusado de dirigir o carro usado no assassinato e o segundo, de ter atirado em Marielle e Anderson. Quatro anos depois, eles continuam presos, mas não foram julgados. Os dois estão em penitenciárias federais de segurança máxima.
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