Cláudio Castro assume se sentir culpado sobre prisões de policias civis por tráfico de drogas e corrupção Cleber Mendes/Agência O Dia
Quatro policiais civis e um advogado foram presos, na quinta-feira passada (19), na Operação Drake, após terem negociado 16 toneladas de maconha com criminosos. De acordo com as investigações, o veículo com a droga saiu de Mato Grosso do Sul via São Paulo e entrou no Rio de Janeiro pela Rodovia Presidente Dutra. Ao entrar no estado, os agentes da DRFC interceptaram o motorista e deram ordem para que levasse o caminhão até a Cidade da Polícia, na Zona Norte do Rio.
Neste trajeto, o caminhão e dois carros da Polícia Civil foram parados em um ponto da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-116, próximo da cidade do Rio de Janeiro. Nas imagens, obtidas com exclusividade pelo Fantástico, o veículo aparece escoltado pelas viaturas quando recebe a ordem de parada no posto, onde oito agentes da PRF estão de plantão. Segundo a PRF, os policiais informaram que a carga já estava apreendida e o motorista preso.
A viagem continuou até a Cidade da Polícia, onde os agentes negociaram, mediante ao pagamento de propina por intermédio de um advogado, a liberação da carga e a soltura do motorista. Após o combinado, três viaturas da DRFC escoltaram o caminhão até os acessos da comunidade de Manguinhos, na Zona Norte, onde a carga foi descarregada. A região é controlada pelo Comando Vermelho (CV), uma das maiores facções criminosas do estado.
A Polícia Federal informou ao DIA que o início do desvendamento do caso se deu quando o motorista do caminhão realizou o mesmo trajeto para retornar a Campo Grande, com o mesmo veículo. O condutor e o carro foram levados para a sede da Polícia Rodoviária Federal do Rio de Janeiro, onde uma perícia encontrou vestígios da carga de maconha. Ele prestou depoimento e contou detalhes sobre o ocorrido.
A investigação do caso ficou a cargo da PF. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) denunciou os quatro policiais civis e um advogado pelo crime, que foram presos na última quinta. Os agentes detidos são Juan Felipe Alves da Silva, Renan Macedo Villares Guimarães, Alexandre Barbosa da Costa Amazonas e Eduardo Macedo de Carvalho; e o advogado Leonardo Sylvestre da Cruz Galvão.
A droga
Procurada, a Polícia Federal informou ao DIA que os agentes cobraram R$ 300 mil para liberar os entorpecentes que foram comprados por criminosos do Comando Vermelho (CV). A carga foi descarregada no acessos da comunidade de Manguinhos.
O motorista contou, em seu depoimento, que os policiais partiram da Cidade da Polícia escoltando o caminhão com dois carros e uma caminhonete, e encontraram o advogado que participava da negociação para seguirem até o ponto de retirada.
O motorista disse que ficou no caminhão enquanto a mercadoria era descarregada e que demoraram cerca de três horas para realizar o processo. Na madrugada do outro dia ele foi liberado. De acordo com a reportagem do Fantástico, a apreensão da droga pela Polícia Civil nunca foi registrada.
Mais prisões de policiais civis
Outros agentes civis foram alvos, na última sexta-feira (20), contra o tráfico de drogas. Segundo as investigações, três agentes e o delegado Renato dos Santos Mariano desviaram 280 kg de uma apreensão de cocaína e venderam os entorpecentes.
Cerca de 50 policiais federais cumpriram oito mandados de busca e apreensão na capital fluminense e em Araruama, na Região dos Lagos.
A investigação começou em 2020, quando o setor de Inteligência da PF monitorava um caminhão com 500 kg de pasta base de cocaína. A droga saiu do Complexo da Maré com destino ao porto do Rio. Porém, no meio do caminho o veículo foi parado por policiais civis. No dia seguinte, o delegado falou com a imprensa sobre o caso.
Renato era titular da 25ª DP (Engenho Novo) e no registro de ocorrência consta que uma equipe da distrital havia apreendido sete malas com 220kg de cocaína pura na Avenida Brasil, na altura do Complexo da Maré, na Zona Norte. No entanto, as investigações da PF apontam que outras 10 malas com 280kg do entorpecente teriam sido desviadas e vendidas pelos agentes.
Procurada, a Polícia Rodoviária Federal informou que as investigações dos casos estão a cargo da PF. Em nota, a Polícia Civil divulgou que “a Corregedoria-Geral (CGPOL) apoiou a ação e instaurou procedimentos internos disciplinares. A Polícia Civil reforça que repudia qualquer tipo de desvio de conduta e atividade ilícita, e reitera seu compromisso no combate à criminalidade”.

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor.