O café, queridinho dos brasileiros, está com o preço nas alturasPedro Teixeira / Agência O Dia
De férias no Rio, a operadora de caixa, a paulistana Dilcelene Nascimento, achou o aumento do produto ridículo. "Eu fiquei muito braba. Fui no mercado para comprar café e no dia seguinte já havia aumentado. Eu não deixei de tomar café, mas tive que comprar uma marca mais barata. Isso é ridículo. O custo de vida está muito alto no país. Estou num hostel e, de manhã, tomo pelas padarias do bairro. À tarde, comprei café solúvel para não ficar sem o meu cafezinho".
Uso do solúvel
Fiscal de caixa, Jefferson de Araújo espera que o preço do café diminua. "Não é possível que o café aumente de uma hora para outra. Quem gosta fica bem chateado. O jeito é usar o solúvel e diminuir a quantidade de vezes. Tenho a esperança de que o preço irá diminuir porque ninguém está aguentando a alta. Está caro demais", reclama.
Reciclagem
A aposentada Valquiria Arantes não deixou de tomar seu cafezinho por conta da alta dos preços, mas modificou a forma. "Um absurdo esse aumento. De manhã eu faço fresquinho, mas à tarde eu reciclo com o que sobrou. Coloco menos pó e misturo com o mais velho. Também faço chá gelado. Agora café virou produto de rico. Até nos laboratórios, o cafezinho doado não é mais de boa qualidade. Outro dia até falei para uma das atendentes que o gosto não estava tão bom", diz ela, acrescentando que o cafezinho é uma tradição dos brasileiros, principalmente, dos cariocas.
Hábito diário
A parada diária na padaria para um cafezinho ou um café pingado é tradição para a advogada Daniela da Rocha Martins. "Tomo café diariamente, não deixei de tomar, mas o preço está um absurdo. Muita gente não pode pagar. Eu tomo aqui na padaria e em casa também. Advogada não fica sem café de jeito nenhum’’, disse ela, que desconhece os cafés fakes que estão aparecendo no mercado.
Seis pacotinhos
A aposentada Rosa Lima estava fazendo compras num supermercado e inconformada com o preço do café, ainda assim diz que continua comprando seis pacotinhos por mês porque, como a maioria dos brasileiros, já é um hábito. "Eu tomo só de manhã, mas o meu filho bebe café o dia inteiro", afirma dona Rosa, que não sabe se o aumento foi por conta da crise climática. "Mesmo mais caro que não deixo de comprar meu cafezinho. Todo mundo tem o hábito de tomar. Isso é costume dos grandes. Todo mundo gosta de café. É difícil uma pessoa que não goste de café".
De olho nas embalagens
A alta nos preços do produto tão amado pelos brasileiros deu margem para que o consumidor menos atento caia numa cilada: o Café Fake / CaFake, ou seja misturas de café com impureza e que não são saudáveis nem tem aprovação. Quem faz o alerta é a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), que esclarece: "A legislação nacional sanitária e de defesa agropecuária proíbe, de forma expressa, com punição de multa e apreensão, a oferta direta ao consumidor de café misturado com resíduos agrícolas, matérias estranhas e impurezas como cascas, palha, folhas, paus ou qualquer parte da planta exceto a semente do café".
Para que essa prática acabe, a ABIC promove o Seminário 'Defesa do consumidor e combate à fraude no café: o papel das entidades públicas e privadas'. O evento vista proteger o consumidor diante da possibilidade de aumento de fraudes no contexto da alta do preço do café e terá a presença de representantes da indústria, do varejo e de órgãos de fiscalização. O encontro acontecerá na quarta-feira (19), às 9h, na sede da ABIC, no centro do Rio de Janeiro,com transmissão on-line.
Valor não vai diminuir
Doutor em engenharia da produção e ex-secretário da Agricultura do Paraná, o professor universitário Eugenio Stefanelo explica que será difícil o preço do produto cair. "Para este ano, não tem jeito, a cotação do café permanecerá em nível elevado. Claro que poderá aumentar ou reduzir levemente o preço, dependendo do andamento das cotações internacionais e da taxa de câmbio, mas nós não veremos neste ano reduções mais significativas do preço do café.
De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC) , foram consumidas 21,916 milhões de sacas em 2024. Os números apontam que o consumo da bebida no Brasil entre novembro de 2023 e outubro de 2024 registrou um aumento de 1,11% em relação ao período anterior, considerando dados de novembro de 2022 aoutubro de 2023. Tal volume representa 40,4% da safra de 2024, que foi de 54,21 milhões de sacas, segundo a Conab – Companhia Nacional de Abastecimento. O Brasil segue como o maior consumidor dos cafés nacionais.











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