Ambos estavam encarcerados no momento em que traficantes da comunidade Vai-Quem-Quer, também em Caxias, tentaram resgatar dois comparsas da distrital, no último sábado (15). De acordo com a Polícia Civil, os bandidos queriam liberar Rodolfo Manhães Viana, conhecido como 'Rato' e apontado como chefe do tráfico da localidade, e seu braço direito, Wesley de Souza do Espírito Santo, o 'Cabelinho'.
Rato e Cabelinho foram presos no sábado (15), mas não estavam na delegacia na hora em que os bandidos chegaram. Apesar disso, o grupo liberou os homens, recapturados nesta terça, da carceragem.
Segundo o delegado Felipe Curi, secretário de Estado de Polícia Civil, os presos deixaram a 60ª DP contra a vontade. A dupla foi encontrada nesta terça-feira (18) no Complexo da Mangueirinha, em Caxias. Eles não possuem ligação com a quadrilha especializada em roubos de celulares e extorsão.
"Quando esses marginais entraram, eles estouraram os cadeados das carceragens e mandaram todos esses presos saírem da delegacia. Inclusive, eles perguntaram onde os presos moravam. Se fosse de uma facção rival, muito provavelmente eles teriam matado esses presos dentro da própria delegacia. Como moravam em regiões da mesma facção, eles obrigaram, pois temos o conhecimento que esses presos não queriam sair. Como iriamos atuar hoje na região onde moram esses presos, eles foram recapturados. Eles já estavam propensos a se apresentar, inclusive estavam procurando advogados. São presos que não tem nada a ver com esse grupo criminoso (alvo da Operação Ominus)", explicou.
A tentativa de resgate deixou dois policiais civis feridos. Eles foram socorridos e encaminhados ao Hospital Municipalizado Adão Pereira Nunes (HMAPN). Ambos já receberam alta.
Responsável por ataque
A investigação identificou que o ataque foi ordenado por Joab da Conceição Silva, de 32 anos, apontado como chefe do tráfico da comunidade Rua Sete, também em Duque de Caxias. O criminoso é ligado ao Comando Vermelho (CV) e possui envolvimento em guerras entre facções por territórios da Baixada. Segundo as investigações, a quadrilha liderada pelo traficante é considerada uma das mais armadas nas comunidades ao redor de áreas como Campos Elíseos, Jardim Primavera e Saracuruna.
Joab ganhou o direito do benefício de Visita Periódica ao Lar (VPL) em outubro de 2019 e desde então não retornou a sua unidade prisional, o Instituto Penal Vicente Piragibe, em Bangu, na Zona Oeste. Ele havia sido preso em 2012, fugiu em 2017 e foi recapturado em dezembro do mesmo ano. Em sua ficha criminal, constam 55 passagens pela polícia, por crimes como tráfico, associação para o tráfico, porte ilegal de arma, extorsão, roubo de carga e receptação.
Contra o traficante, constam dois mandados de prisão, sendo um pela Vara de Execuções Penais (VEP), com pedido de recaptura, onde fora condenado a uma pena de 16 anos, por tráfico de drogas, e outro pela 4ª Vara Criminal de Duque de Caxias, em inquérito da 60ª DP, pelo crime de homicídio.
Nesta segunda-feira (17), a Polícia Civil demoliu uma casa de luxo que estava em construção que pertencia a Joab, no bairro Jardim Primavera, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. O imóvel possuía uma área de lazer, com piscina, parquinho e quadra. Em dois dias de operação contra o grupo responsável pelo ataque, 20 criminosos foram presos e um morreu em confronto.
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