Rafael Picciani 2 DENTRODivulgação/Marcelo Regua
Rio de Janeiro vai sediar 200 eventos esportivos este ano
Segundo o secretário de Esporte, Rafael Picciani, incentivo do Governo do Estado atrai competições como o Rio Open e a Maratona do Rio
RIO - À frente da Secretaria de Estado de Esporte e Lazer desde 2023, Rafael Picciani tem investido em programas que incentivam a prática esportiva e desenvolvem atletas de alto rendimento. Em entrevista ao jornal O Dia, Picciani destaca os projetos que garantem ao Rio de Janeiro o protagonismo em grandes eventos esportivos. Apenas este ano, serão 200 competições, com o apoio da Lei de Incentivo ao Esporte, como o Rio Open e a Maratona do Rio.
O DIA - Quais os principais destaques do calendário de eventos de 2025?
RAFAEL PICCIANI - Manter e receber cada vez mais eventos esportivos no nosso calendário é motivo de orgulho e sinal de que estamos no caminho certo, de resgate da confiança no Rio de Janeiro. Em 2025, o Rio de Janeiro vai sediar 200 eventos esportivos, com apoio da Lei de Incentivo ao Esporte. Temos feito um trabalho institucional junto às confederações de todas as modalidades, mostrando que há uma política pública decidida a investir no esporte e, com isso, recebemos esse voto de confiança para que as competições aconteçam aqui.
Conseguimos sediar mais uma edição do Rio Open, que é a principal etapa do circuito mundial de tênis na América. Outro exemplo de sucesso é a Maratona do Rio, o maior festival de corrida de rua da América Latina, com recorde de inscrições. Também teremos a etapa do Mundial de Surf, em Saquarema, o Mundial de Ginástica Rítmica – pela primeira vez realizado fora dos Estados Unidos e da Europa – e o Sail GP, conhecido como a 'Fórmula 1 dos esportes náuticos', na Baía de Guanabara.
Qual é o retorno e o impacto que esses grandes eventos trazem para o Estado?
O retorno dos grandes eventos esportivos é mais imediato do que se o Estado recebesse esses tributos e reinvestisse no seu orçamento. Somando apenas o investimento no Rio Open, Maratona do Rio e etapa do Mundial de Surf da WSL, em 2024, foram R$ 35 milhões que o Estado renunciou e R$ 600 milhões de injeção de recursos comprovados.
É toda uma cadeia beneficiada, trazendo desenvolvimento econômico, formando novos atletas, gerando postos de trabalho, divulgando o turismo, ocupando a rede hoteleira e aumentando o consumo em bares e restaurantes. Vale ressaltar que o prazo médio de permanência dos turistas é maior do que a duração dos eventos, o que beneficia diferentes setores.
E como trazer visibilidade também para o interior fluminense?
É nosso dever atender a todos os 92 municípios, sem distinção. Muitas cidades já possuem vocações naturais, como as ondas de Saquarema. Outras têm feito grandes investimentos para proporcionar condições apropriadas para a prática do esporte, como Búzios, Angra dos Reis e Paraty.
Temos fortalecido o calendário em todo o interior, descentralizando os holofotes da capital e contribuindo para o crescimento do estado como um todo. Com isso, divulgamos o Rio de Janeiro de forma plural, fortalecendo o estado como a casa dos eventos esportivos nos cenários regional, nacional e internacional.
Como funciona a Lei Estadual de Incentivo ao Esporte, fundamental para o crescimento do calendário de eventos?
É uma ferramenta muito simples e transparente, com informações disponíveis em nosso site. Não temos um edital, mas uma comissão de aprovação de projetos o ano todo, respeitando as peculiaridades de cada iniciativa. Fazemos uma análise minuciosa em diferentes etapas, até emitirmos um certificado, dando o direito ao proponente de ir às empresas que recolhem ICMS aqui no Estado do Rio de Janeiro e propor o patrocínio via isenção fiscal. Toda empresa que recolhe ICMS no Estado tem o direito de abater até 3% do ICMS recolhido, revertido para o esporte ou para a cultura. É uma lei muito bem-sucedida.
Qual a expectativa para a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro?
Acredito que trará muitos benefícios para a infraestrutura e investimento para a formação de atletas. O esporte sem ídolos, sem renovação dos quadros vencedores, não gera estímulo para que as novas gerações o pratiquem. Então, o que mais me entusiasma, além de ver mais uma vez o Rio de Janeiro saindo na frente, como protagonista de um evento internacional, é saber que isso refletirá também no investimento de clubes e de empresas para formar os atletas que em 2031 poderão estar disputando aqui.
Como fazer com que o acesso ao esporte chegue na ponta, como em comunidades?
Hoje, o estado tem centenas de projetos que atendem gratuitamente a população. Também retomamos a política do núcleo esportivo, do professor na praça perto de casa. Temos o Esporte Ativo, com 350 núcleos, que hoje funcionam atendendo majoritariamente a população da melhor idade. Focamos também na introdução de crianças cada vez mais cedo no esporte.
Sem falar nos nossos equipamentos esportivos, como o Caio Martins, em Niterói, e o Júlio Delamare, no Rio, que foram revitalizados e devolvidos à população. Hoje, temos os maiores números desde o surgimento desses equipamentos: 3,5 mil alunos na piscina do Caio Martins e 6.5 mil, praticando atividade física gratuitamente no Júlio Delamare diariamente.
E o Bolsa Atleta RJ, qual a importância do programa para o fomento do esporte no Estado?
Eu não tinha dimensão da importância do programa antes de ser secretário. Vejo isso nos depoimentos dos atletas beneficiados e de suas famílias. Muitos falam que se não fosse o Bolsa Atleta RJ teriam interrompido as atividades, por não ter dinheiro para se deslocar ou comprar um tênis apropriado.
Quando cheguei à secretaria, eram cerca de 350 contemplados, hoje já superamos 850, em 73 modalidades, com bolsas que variam de R$ 500 a R$ 5 mil. É um programa democrático, que tem um critério de transparência muito grande e gera um benefício imediato, porque esses atletas levam a marca do Governo do Estado para o Brasil e o mundo.
Um dos programas que a secretaria tem dado destaque é o Jogos Escolares do Rio de Janeiro. Essa abordagem do jovem na escola, que incentiva os estudantes para a prática esportiva, ainda traz resultados nos dias de hoje?
Funciona muito, é o principal programa que temos em curso e deixará uma marca forte. Os jovens participam de campeonatos, viajam, vivenciam o pertencimento. Nem todo mundo vai viver do alto rendimento e virar atleta, mas essa experiência permite que conheçam lugares, pessoas e culturas que possivelmente não conheceriam. Além disso, muitos talentos são revelados.
A secretaria se propôs a fazer um calendário único, regionalizado, que permite a todos os estudantes do estado participarem. Chamamos as federações para trabalhar conosco e informamos que vamos proporcionar os recursos para fazer os melhores eventos possíveis de seletiva, alcançando todos os municípios, com as etapas regionais. As inscrições abrem em março e esperamos um grande número de atletas participando.
Qual a modalidade esportiva que mais vem crescendo no Estado?
Hoje o setor que mais tem demanda da Lei de Incentivo é o de esportes eletrônicos. Temos uma visão lúdica do passado, do videogame como uma coisa do entretenimento. Só que esses atletas de hoje se esforçam para atuar no alto rendimento dessas modalidades, é um negócio de outro planeta. A garotada que se dedica a isso tem nutricionista, psicólogo e um conjunto de profissionais à disposição. E os campeonatos tem valores de premiação altos, o que os torna também atrativos. Mas há os que não encaram os jogos eletrônicos como esporte...
Vale como o segmento é visto, e hoje é visto como esporte, então temos que respeitar. Nós fizemos um Major de CS, que é uma das etapas mais importantes internacionais, lá na Farmasi Arena, e os ingressos, de ticket médio alto, esgotaram em menos de 24 horas. A procura é gigante! O que eu tenho tentado buscar? Dialogar com os projetos sociais de jogos eletrônicos, para que eles complementem o currículo de formação desses jovens de algum modo. Se não virarem jogadores profissionais, terão o domínio completo da informática e do inglês, por exemplo. E isso vai ser bom para a vida dele profissional e pessoal. Então, vamos respeitar como modalidade esportiva e entender quais vocações possuem que possam beneficiar a sociedade, caso não virem atletas. Vejo que esse segmento tem grande potencial.



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