Agatha Marquês sobreviveu a tiro na cabeça na comunidade do Batan, em RealengoReprodução / Redes Sociais

Rio - "Deus me concedeu um 'sopro de vida' e hoje estou aqui como um milagre." A jovem Agatha Marquês Santos, de 26 anos, usou as redes sociais, nesta segunda-feira (7), para comemorar a sua recuperação, um ano depois de ter sido vítima de uma tentativa de feminicídio, na comunidade do Batan, em Realengo, Zona Oeste.
No dia 7 de abril de 2024, a mulher foi baleada na cabeça, na Rua São Dagoberto, a poucos metros de casa. Vizinhos a socorreram e levaram-na ao Hospital Municipal Pedro II, em Santa Cruz, também na Zona Oeste. Agatha ficou internada por um mês até receber alta. Agatha, que teve que tirar uma parte do crânio devido aos ferimentos, deixou a unidade em uma cadeira de rodas.
Meses após o crime, a jovem segue com seu processo de recuperação. Nesta segunda, Agatha postou uma foto em pé, sorridente e comemorando o seu "milagre".
"Hoje (segunda, 7) completa um ano do dia que mudou a minha vida de uma maneira que nunca imaginei. Um ano que, para muitos, passou rápido, mas para mim foram 365 dias vividos minuto a minuto, todos eles com incertezas, medos, desafios, força e fé. Sei que ainda tenho muitos desafios pela frente. Muitos medos e obstáculos a serem vividos e vencidos, mas o meu foco é ficar de pé e vencer meus limites. Hoje, reconheço que realmente a vida é 'um sopro' e que devemos valorizar cada minuto, vitória, derrota, sorriso e lágrima, valorizar até às dificuldades. Valorizem cada minuto das suas vidas, pois todo minuto pode ser o último da vida de todos nós", escreveu.
A jovem, que tem dois filhos crianças, também agradeceu o apoio de familiares e amigos, que acompanham e auxiliam sua caminhada. Considerando toda sua trajetória, Agatha aconselha a todos que valorizem a vida.
"Assim como a 'vida é um sopro', naquele minuto que poderia ser o meu último, Deus me concedeu 'um sopro de vida' e hoje estou aqui como um milagre. Já recebi muitos conselhos e hoje eu quero dar um a todos: valorizem a vida, se amem, não esperem o 'momento certo' para ser feliz porque o momento certo é agora. Então, seja feliz hoje. Não importa as circunstâncias, os medos e as dificuldades", destacou.
Investigação
A família da jovem aponta que o principal suspeito do crime é seu ex-namorado, Douglas da Silva Virgulino. O casal havia terminado o relacionamento cerca de um ano antes da tentativa de feminicídio. Pessoas próximas à vítima acreditam que o ataque teria sido motivado por ciúmes.
Agatha e o ex-namorado tem um filho de 3 anos. Além disso, a mulher tem uma outra filha, fruto de um relacionamento anterior.
A 33ª DP (Realengo) iniciou as investigações sobre o crime. Na época, Douglas chegou a ser procurado para prestar depoimento. Em um primeiro momento, o caso foi registrado como roubo seguido de lesão corporal, mas o registro de ocorrência destacou que nenhum pertence da vítima foi levado, aumentando a hipótese de uma tentativa de feminicídio.
Questionada sobre o andamento do inquérito, a Polícia Civil informou que o suspeito foi preso em outubro de 2024 em um shopping, na Barra da Tijuca, na Zona Oeste, por agentes da 5ª DP (Mem de Sá). Contra ele foi cumprido um mandado de prisão temporária. A corporação informou que o homem confessou o crime e que o inquérito foi relatado em novembro do ano passado.