Carreata de São Jorge, organizada pelo Império Serrano, reuniu devotosReginaldo Pimenta / Agência O DIA

Rio - Devotos se reuniram para a tradicional carreata de São Jorge promovida pelo Império Serrano, na manhã deste domingo (27). Sob fogos, o cortejo com a imagem do Santo Guerreiro em cima do carro dos Bombeiros saiu da quadra da agremiação, na Av. Ministro Edgard Romero, 114, em Madureira, por volta das 11h, em direção à Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino.
Antes de deixar a quadra para a carreata, que passa por alguns bairros da Zona Norte, Flavio França, presidente do Império Serrano, falou à comunidade sobre o significado do tradicional evento. "Eu costumo sempre dizer que a carreata, tão simbólica, que o Império Serrano desenvolve há tantos anos, é uma mistura de fé, comunhão, poesia e política", disse.
"É importante comungarmos no mesmo pensamento a fim de louvar e exaltar nosso padrinho e padroeiro São Jorge, que tanto fez e faz por essa comunidade, que sedenta, não cansa de lutar e buscar por seus ideais. A gente renova a nossa fé todo ano fazendo acontecer esse momento importante para a nossa nação e para o nosso glorioso Reizinho de Madureira", seguiu.
Além das palavras do presidente, os devotos acompanharam uma oração e bênção do padre Cristiano, da Paróquia São Brás, e o hino de saudação a Ogum, pela Umbanda, entoado pelo grupo Jongo da Serrinha, antes de sair da quadra.
Ao DIA, o professor e conselheiro do Conselho Deliberativo do Império Serrano, Bruno Teté, de 43 anos, celebrou a importância do evento e relembrou o incêndio que atingiu uma fábrica de tecidos em Ramos, na Zona Norte, que deixou um morto e a escola sem possibilidade de retornar ao Grupo Especial, já que não foi julgada.
"A carreata é uma união, confraternização e um olhar à frente para dias melhores, já que nesse ano nós passamos pela fatalidade do incêndio. Nós queremos prestar homenagens a todas as vítimas. É uma grande confraternização. São Jorge significa unidade e diálogo, porque nele nós temos católicos, umbandistas, candomblecistas, e até quem não frequenta nada, unidos numa só fé. É possível um mundo melhor, olhando para São Jorge, porque ele unifica tantas fés, tantos pensamentos positivos", declara.
Devoto de São Jorge há 15 anos, para o auxiliar administrativo e diretor geral de harmonia do Império Serrano Paulo Dimitri, de 38 anos, o encontro de bandeiras com a Imperatriz Leopoldinense, escola afilhada da agremiação, é o momento mais especial da carreata, além da saída da quadra do Reizinho de Madureira.
"Já é o quarto ano que eu venho na carreata. O clima é bem família, bem agradável. Ela é importante para seguir a tradição. O Império é uma escola muito tradicional, então a gente segue o que o legado que os mais velhos deixaram para a gente. Eu gosto muito de quando saímos da quadra e de quando paramos na Imperatriz, que encontramos amigos e vira uma grande festa", celebra.
Na Igreja Matriz de São Jorge, em Quintino, a carreata do Império Serrano recebeu a benção do padre Dirceu Rigo, que está de saída da comunidade e abençoa a escola de samba pela última vez.
"Eu amo cada um de vocês como Jesus disse: Devemos nos amar, devemos nos respeitar. E essa escola faz parte da minha caminhada, da minha vida, porque todos os anos vocês passam para agradecer e eu tenho essa graça de abençoar. Que essa minha última benção que dou a vocês seja de muita foça e coragem para enfrentar como São Jorge enfrentou o dragão. Tem muitos dragões que querem destruir as nossas vidas, famílias, comunidade e escolas, mas quando a gente tem Deus no coração, vencemos qualquer mal", diz.
No bar Clube da Esquina, na Rua Piauí com Rua Honório, no Engenho de Dentro, com muita festa, os devotos fizeram a parada obrigatória para a cervejinha gelada. Ao longo do dia, a carreata ainda passa pelo Centro Espírita Caminheiros da Verdade, encontra a Imperatriz Leopoldinense em sua quadra, vai ao Morro da Serrinha, onde o Império Serrano nasceu, e retorna à quadra da agremiação para os show e roda de samba.