Guilherme e Christian estudam na Escola Municipal Virgílio Várzea, no PechinchaReprodução/Google Street View

Rio – Um grupo de mães atípicas marcou para a manhã desta terça-feira (29), às 10h, uma manifestação em frente à sede da Prefeitura do Rio, na Cidade Nova, para reivindicar por mais profissionais mediadores nas salas de aula para alunos com necessidade de um acompanhamento especializado.
Leonela Mendonça, mãe de Guilherme, de 6 anos, que tem paralisia cerebral, disse ao DIA que conseguiu um mediador para o menino com auxílio da Defensoria Pública. Já para a filha mais velha, Júlia, de 17 anos, que tem autismo, síndrome de Rett e epilepsia, a solução foi contratar uma professora itinerante para acompanhá-la em casa: “Minha filha foi muito maltratada na rede pública, então eu prefiro deixá-la em casa”.
Sobre a estimativa de mães atípicas presentes ao protesto, Leonela explicou que não tem como sugerir um número. E o motivo, segundo ela, também tem a ver com a escassez de mediadores nas salas de aula das unidades municipais.
"Nossos filhos ficam na escola, e como não tem mediador, principalmente para os autistas, eles ligam para buscar mais cedo. Até para nos manifestar somos prejudicadas. Então, por isso, não posso estimar quantas irão. Mas estamos tentando mobilizar o máximo possível", destaca.
Ela lembrou que, antes do mediador, o aprendizado do garoto, que estuda na Escola Municipal Virgílio Várzea, no Pechincha, em Jacarepaguá, Zona Oeste, era impactado: “Quando fica sem esse suporte, ele regride. Foi o que aconteceu no começo do ano. Por isso fui para a Defensoria Pública”.
O protesto na porta da prefeitura ocorrerá quatro dias após o vereador Paulo Messina (Podemos), representante da causa das Pessoas com Deficiência (PCDs) na Câmara de Vereadores, postar nas redes sociais um vídeo de Cristian, que tem autismo e Síndrome de Down.
Nas imagens, o menino, que também estuda na Virgílio Várzea, aparece sentado no chão, sozinho, do lado de fora da sala de aula, enquanto outros alunos estudam. Leonela ressaltou que a falta de acompanhamento especializado para o menino é de longa data: "O Christian não é da turma do Guilherme, mas ficava na sala do meu filho. Ele é do quarto ano, mas nunca se adaptou e ficava com o 1º ano. Já criou vínculo com as crianças, e como a escola não está nem aí, foi jogando o menino para séries abaixo. Mas neste ano, infelizmente, como não quiseram que o Christian ficasse no primeiro ano, ele fica como viram no vídeo, jogado no pátio”.
Na postagem, Christiane Freitas, mãe do garoto, fez um desabafo: "O que quero é a verdadeira inclusão para o meu filho. É o que ele precisa. A sensação que tenho é que eles [da prefeitura] tentam colocar na minha cabeça que meu filho não tem capacidade de aprendizado. Mas eu vejo outras crianças se desenvolverem. Por que meu filho não pode se desenvolver também?".
Barradas
Leonela, Christiane e outras responsáveis foram convidadas para uma reunião com Antoine Azevedo Lousao, subsecretário de Educação. Segundo a mãe de Guilherme, o encontro, agendado para a terça-feira passada (22) pelo Instituto Helena Antipoff, um órgão da Secretaria Municipal de Educação (SME), tinha o objetivo de desmobilizar o protesto.
Ao chegar à prefeitura, entretanto, o grupo de mães foi impedido de entrar. A SME informou que havia no grupo pais que não pertencem à rede, o que resultou no cancelamento do encontro. A pasta disse ainda que "permanece à disposição para agendar uma nova data".
Quanto à quantidade insuficiente de mediadores nas escolas municipais, a secretaria informou que a rede conta atualmente com 9 mil profissionais dedicados exclusivamente à Educação Especial, como professores de atendimento especializado e agentes de apoio, para cerca de 30 mil crianças incluídas.
A SME enfatizou ainda que “nem todos os alunos da Educação Especial precisam de atendimento individualizado” e que atuação dos profissionais “é definida de acordo com laudos médicos e avaliações pedagógicas”.
Confira abaixo a nota na íntegra:
A Secretaria Municipal de Educação recebe um número cada vez maior de alunos na Educação Especial. Hoje, a rede pública de ensino já tem quase 30 mil crianças incluídas.
A Secretaria tem 9 mil profissionais dedicados exclusivamente à Educação Especial, como professores de atendimento especializado e agentes de apoio. Todos os profissionais são mediadores no desenvolvimento educacional dos alunos e fundamentais para o bom atendimento.
Vale lembrar que nem todos os alunos da Educação Especial precisam de atendimento individualizado. A necessidade de profissionais é definida de acordo com laudos médicos e avaliações pedagógicas.

As escolas municipais cariocas contam com o apoio do Instituto Municipal Helena Antipoff (IHA), uma referência nacional, que faz a implementação das políticas públicas de Educação Especial no Rio.