Juliana Marins, de 26 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (24)Reprodução
Segundo os entrevistados, embora fatores como clima instável, neblina e terreno acidentado representem desafios para ações de busca, a demora no início das operações e a interrupção prolongada do resgate acendem um alerta.
O guia de turismo e ecoturismo William Santos, especializado em treinamentos e primeiros socorros em áreas remotas, avaliou criticamente a atuação das equipes envolvidas. "Vejo que poderia ter havido melhor organização e logística. O que se percebe é que a equipe de resgate não tinha conhecimento técnico suficiente, carecia de equipamentos adequados e apresentou lentidão no atendimento emergencial", afirmou.
Ainda de acordo com o especialista, o intervalo de três dias entre o acidente e a localização do corpo não é aceitável para um resgate em montanha: "A partir do momento em que o acidente foi comunicado, já deveria ter havido uma mobilização imediata. É uma corrida contra o tempo. Juliana provavelmente estava ferida e ainda enfrentou a ausência de água, alimento e o frio intenso. Drones, por exemplo, poderiam ter sido utilizados para localizá-la mais rapidamente."
William também aponta possível negligência por parte das equipes locais. "A demora no atendimento foi um fator crucial para o desfecho da situação. Mesmo com o mau tempo, houve certa omissão quanto à resposta rápida. As pessoas que foram ajudar não aparentam ser profissionais treinados para atuar em áreas remotas", conclui.
Adilson Teixeira de Souza, presidente e fundador do Clube de Aventura Atma, de São Paulo, grupo que promove excursões para as principais montanhas do Brasil, reforça os desafios logísticos em montanhas como o Rinjani. Com ampla experiência em trilhas, ele aponta que algumas medidas poderiam ter evitado a tragédia ou ao menos criado condições mais favoráveis para a sobrevivência de Juliana.
"A presença de guias experientes, tecnicamente capacitados e comprometidos com normas de segurança é indispensável. Além de conhecerem o percurso, esses profissionais devem dominar primeiros socorros em áreas remotas, gerenciamento de risco e tomada de decisão sob pressão", destaca Adilson.
Segundo testemunhas, Juliana teria sido deixada sozinha após pedir uma pausa para descansar antes de retomar a trilha. Esse ponto também foi criticado por Adilson: "Jamais uma participante deveria estar sozinha em uma trilha de alto risco. Em caso de desistência, é obrigatório que um guia acompanhe a pessoa até um ponto seguro. Nunca se deve deixar alguém isolado, independentemente do motivo."
Especialistas ressaltam que trilhas em regiões de alto risco devem contar com um plano de resgate estruturado e previamente definido, incluindo:
- Equipamentos adequados para resgate em terreno acidentado
- Kit de primeiros socorros avançado
- Conhecimento de rotas de evacuação e pontos de acesso rápido





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