Casa que desabou parcialmente, localizada na Rua Ramon Franco, na Urca, foi interditadaÉrica Martin / Agência O Dia

Rio - Uma forte rajada de vento pode ter contribuído para o desabamento parcial de uma casa na Urca, na Zona Sul, nesta terça-feira (24). O imóvel, localizado na Rua Ramon Franco, não tinha licença para obras. Três pessoas ficaram feridas e a Polícia Civil segue investigando o caso.
Ao DIA, o porteiro Afonso de Oliveira, que trabalha em um colégio na mesma rua da residência, contou que presenciou todo o fato. De acordo com ele, havia uma lona presa na estrutura onde os funcionários estavam. Com a força do vento, o equipamento se soltou e derrubou a sustentação.
"Foi a força do vento. Na hora, ventava muito e a obra estava coberta com uma lona branca, que estava presa em uma parte do andaime. Ela cobria a casa, pois o imóvel foi destelhado e eles colocaram lá para poder trabalhar. O vento forte suspendeu a lona e arrancou o andaime, que veio abaixo com os rapazes. A lona virou uma espécie de balão e desabou a parede onde o andaime estava agarrado", comentou.
Segundo o porteiro, por pouco o desabamento não acerta um pai e a sua filha. "Ele chegou chorando. Foi coisa de tempo. Ele só atrasou um pouquinho para ajustar o cinto da filha e não passou na hora. Se não, caía em cima dele", completou.
O mestre de obras Aloísio Santos, de 62 anos, que coordena uma obra na Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Unirio), também na Urca, passa diariamente pela residência e destacou que houve uma falha na forma da intervenção.
De acordo com o homem, o aparalixo, uma espécie de equipamento que protege contra queda de materiais de obras, não foi montado da forma correta, contribuindo para o desabamento. 
"Aquele tipo de aparalixo não poderia ser fixado daquele jeito, só com a barra por dentro e com parafuso na parede. Aquele tipo de parede só tem tijolo, não tem uma viga e não tem coluna. Só tijolo não aguenta isso. Por ser uma casa mais antiga, não deveriam fazer aquilo. Essas paredes aguentam peso de cima para baixo, na vertical, mas lateralmente, se bater com uma marreta ali cai tudo no chão", explicou.
Para Aloísio, a melhor opção de intervenção no local seria colocar um andaime fachadeiro, que são painéis que acompanham o contorno das estruturas. 
"Eu acredito que o jeito mais prático era colocar esse andaime, onde o pedestre passa por dentro, e em cima colocar o aparalixo, pois aí não iria forçar a parede. Eu acho que juntou uma série de coisas: o aparalixo que deveria ter sido montado de um jeito melhor e o vento também. Eu vi que botaram uma lona por cima e o vento, com muita força, entrou por baixo. Aí untou as duas coisas. Foi ocorrendo uma série de coisas que poderiam ser evitadas", destacou.
O incidente ocorreu por volta das 12h. Segundo o Centro de Operações Rio (COR), o município registrou ventos moderados a forte entre o período. Das 11h às 12h, a Base Aérea de Santa Cruz, na Zona Oeste, assim como o Aeroporto Santos Dumont, no Centro, apresentaram ventos de 46,3 km/h. Das 12h às 13h, houve registro de 48,2 km/h na primeira estação e de 40,7 km/h na segunda.
Já na estação do Vidigal, na Zona Sul, e em Guaratiba, na Zona Oeste, teve registro de 46 km/h e 48,7 km/h, respectivamente, entre 12h e 13h.
Falta de licença
A Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento (SMDU) informou que o imóvel não possui licença para obras. A pasta disse que, mesmo a residência não sendo tombada e não estando em área de preservação, seria necessária uma autorização para as intervenções, pois está no entorno de um bem tombado. A obra foi embargada e o proprietário multado.
O incidente deixou três homens ferido. O trio foi socorrido e encaminhado pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Miguel Couto, no Leblon, na Zona Sul. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Josué Silva, de 54 anos, e Vitor Nascimento, 48, tem quadro de saúde estável. Já José Luiz Medeiros, 37, está em estado grave.
A 10ª DP (Botafogo) investiga o caso. Os agentes fizeram perícia no local e realizam outras diligências para esclarecer as circunstâncias do desabamento.