Rio - O senador Romário (PL-RJ) protocolou, nesta quarta-feira (25), um projeto de lei que institui a Lei Juliana Marins. A proposta tem como objetivo permitir que o governo federal custeie, em caráter excepcional, o translado ou a cremação de brasileiros falecidos no exterior, quando suas famílias comprovadamente não tiverem condições financeiras para arcar com os custos.
Juliana Marins, de 26 anos, foi encontrada morta nesta terça-feira (24)Reprodução
No documento enviado ao Senado, Romário destaca que outros países já adotam medidas semelhantes para garantir dignidade aos seus cidadãos em situações como essa.
A proposta foi motivada pelo caso da jovem Juliana Marins, de Niterói, Região Metropolitana, que morreu ao cair de uma trilha no Monte Rinjani, na Indonésia. Após o Ministério das Relações Exteriores informar que não poderá arcar com o translado do corpo, a família precisará levantar os recursos por conta própria.
"Para jamais esquecermos a dor dessa família, que terá que arcar sozinha com todas as despesas para trazer o corpo da filha para o último adeus, vou trabalhar pela aprovação célere da Lei Juliana Marins. Não se trata de um benefício automático, mas de garantir dignidade. O estado não pode cruzar os braços quando uma família brasileira enfrenta uma tragédia do outro lado do mundo sem nenhum apoio", disse o senador.
A proposta visa preencher uma lacuna na legislação, garantindo que o Brasil ofereça respaldo institucional em situações extremas, com responsabilidade, justiça e humanidade. "O Brasil precisa ter instrumentos para agir com humanidade quando um cidadão perde a vida no exterior e a família não tem meios de trazer esse corpo de volta. Isso não pode depender de vaquinha nem de sorte. É papel do estado agir com responsabilidade e compaixão", concluiu Romário.
Segundo o governo brasileiro, não há respaldo legal nem previsão orçamentária para esse tipo de assistência. O Decreto nº 9.199/2017 determina que a assistência consular não inclui despesas com sepultamento ou translado de corpos de brasileiros mortos no exterior. A norma também exclui a cobertura de hospitalizações, exceto em casos emergenciais e humanitários.
A informação mobilizou o jogador de futebol Alexandre Pato, que manifestou o desejo de custear a repatriação do corpo de Juliana Marins até o Brasil. "Quero pagar esse valor para que todos tenham paz e para que ela possa descansar ao lado da família", disse.
A turista caiu em uma trilha no último sábado (21) e foi encontrada sem vida após quatro dias de buscas. O corpo de Juliana foi resgatado na manhã desta quarta-feira (horário de Brasília) no Monte Rinjani. Após o içamento, os socorristas deverão percorrer um trajeto de até oito horas até o posto de Sembalun. De lá, o corpo será transportado de avião até o hospital Bayangkara.
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