Suyani Breschak e Júlia Cathermol em audiência no último dia 19 de maioReprodução

Rio – Duas testemunhas de acusação no caso “brigadeirão” - como ficou conhecida a morte do empresário Luiz Marcelo Antonio Ormond, que comeu um doce envenenado, em maio de 2024 - falaram ao juízo da 4ª Vara Criminal da Capital, nesta segunda-feira (30). O encontro deu continuidade à audiência de instrução e julgamento das rés Júlia Andrade Cathermol Pimenta, então namorada da vítima, e Suyany Breschak, apontada como mentora do plano de assassinato.
As duas estiveram no tribunal, assim como na audiência anterior em maio passado, mas precisaram se ausentar durante os depoimentos de duas das testemunhas ouvidas, que solicitaram a retirada delas.
A médica Luciana Graça Vieira da Rocha, amiga do empresário, justificou o pedido pela saída das rés dizendo se sentir ameaçada por ambas. Durante o interrogatório, ela contou que a relação entre Júlia e Luiz Marcelo era cercada por desconfiança por parte de amigos e parentes dele.
Já o advogado Jean Cavalcante de Azevedo, ex-namorado de Júlia, revelou que se relacionou com ela por dois anos e quatro meses e garantiu desconhecer o fato de que a acusada tinha um envolvimento com Luiz Marcelo.
O advogado ainda ressaltou acreditar que seu namoro com Júlia tenha sido encerrado, por telefone, no dia da morte da vítima. Jean ainda acrescentou que, após repercussão que o caso tomou, ela o procurou para pedir ajuda, já que ele é advogado. O homem, no entanto, assegurou não ter prestado qualquer tipo de auxílio.
Marcos Antônio de Souza Moura, amigo de infância de Luiz Marcelo, e Cláudio Amorim Simões, perito da Polícia Civil, também foram ouvidos. Já Carla Andrade, mãe de Júlia, e Mariano Bastos, padrasto da ré, preferiram não falar, lançando mão do direito constitucional de permanecer em silêncio. A próxima audiência ainda não tem uma data definida para acontecer.
O caso
Segundo as investigações da Polícia Civil, Luiz Marcelo morreu envenenado após comer um 'brigadeirão' feito por Júlia, sua namorada. A apuração da 25ª DP (Engenho Novo) concluiu que o crime teve motivação financeira, já que a acusada tinha uma dívida de R$ 600 mil com a cigana Suyany Breschak, por trabalhos espirituais contratados pela psicóloga.
A investigação apontou que Júlia deu o doce com 50 comprimidos moídos de Dimorf de 30mg, um remédio controlado, para o namorado. Imagens do circuito interno de segurança do prédio onde o empresário morava, no Engenho Novo, Zona Norte, mostram, no dia 17 de maio, ele sonolento ao conversar com a acusada. Para a polícia, ele já tinha sido envenenado. Exames feitos pelo Instituto Médico Legal (IML) confirmaram a presença de morfina e outras substâncias no corpo da vítima.
A polícia apontou ainda que Suyany, considerada a mandante do crime, foi beneficiária de todos os bens furtados do empresário e recebeu o carro dele como parte do pagamento da dívida. O veículo da vítima foi encontrado em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após ter sido vendido por R$ 75 mil, e recuperado, junto com outros bens. O homem que dirigia o veículo foi preso por receptação. Com ele, os agentes localizaram o celular e o computador da vítima.
Júlia, que está presa desde junho do ano passado, responde pelos crimes de homicídio por motivo torpe com emprego de veneno e com uso de traição ou emboscada, por estelionato, associação criminosa, falsidade ideológica, fraude processual e uso de documento falso. Ela também foi indiciada por se apropriar dos bens do empresário e por vender suar armas.
Suyany, presa desde maio de 2024, responde pelos mesmos crimes da psicóloga, menos o uso de documentos falsos. Considerada a mandante do assassinato, a cigana teria instruído Júlia a ministrar o medicamento, além de ter descoberto como adquirir os comprimidos inseridos no 'brigadeirão'.