Amanda é procurada pela polícia, enquanto Israel foi preso pelo crimeReprodução

Rio - O Ministério Público do Rio (MPRJ) denunciou padrasto e mãe por tentativa de feminicídio contra uma menina de 4 anos. O caso aconteceu em maio, em Paciência, na Zona Oeste, quando a criança foi submetida à sessões prolongadas de tortura, com requintes de sadismo pelo homem. Israel Lima Gomes foi preso, enquanto Amanda da Silva Corrêa Procópio está foragida. A vítima permanece internada.  
A 2ª Promotoria de Justiça de Investigação Penal de Violência Doméstica da área Oeste/Jacarepaguá pediu a prisão preventiva e que Israel e Amanda sejam levados a júri popular. A denúncia justifica que os crimes foram praticados por motivo torpe, sem possibilidade de defesa da vítima, "e com o conhecimento da mãe, que tinha o dever de garantir a integridade física, a saúde e a vida da filha". A denúncia diz que entre março e maio, a criança foi agredida diversas vezes, "sofrendo lesões gravíssimas, que exigiram intubação e transfusão de sangue".
Segundo o MPRJ, em 28 de março, a vítima foi atendida com fraturas na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Paciência e, três dias depois, levada ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, também na Zona Oeste, onde permaneceu internada. No dia 7 de maio, a menina deu entrada no Instituto de Puericultura e Pediatria Martagão Gesteira, na Cidade Universitária, Zona Norte, em estado grave e a mãe alegou que ela havia sofrido uma "queda da própria altura".
Na ocasião, a criança teve duas paradas cardiorrespiratórias, revertidas pela equipe de emergência. Ela apresentava um quadro gravíssimo de perfuração intestinal, fratura no braço, infecção generalizada no abdômen, além de apresentar vômitos esverdeados e vários hematomas por todo o corpo. Mães presentes no hospital acionaram a polícia e Amanda precisou ser protegida, para evitar um possível linchamento. A menina segue internada na unidade de saúde, sob cuidados intensivos. 
O caso foi investigado pela 37ª DP (Ilha do Governador), que descobriu por meio de troca de mensagens entre a mãe e o padrastro, que ele impunha castigos físicos como método de "educação". Em uma delas, Israel afirmou: "Ela é forte porque estou moldando ela na dor. Fica fraco quando é só amor". A Polícia também apurou que a criança foi obrigada a ingerir fezes e frequentemente era trancada sozinha em banheiros escuros. As agressões eram constantes e justificadas como quedas ou acidentes.
Israel, que já tinha duas anotações por violência doméstica e importunação sexual, acabou preso em 16 de maio. Já Amanda chegou a negar qualquer agressão à filha por parte dela ou do companheiro, mas o resultado do laudo do exame de lesão corporal da menina desmentiu a versão, e ela passou a ser investigada por omissão de socorro. Em junho, a Justiça expediu um mandado de prisão contra a mãe e os agentes realizaram buscas na casa de familiares, mas ela não foi encontrada.