Baía de Guanabara, no trecho próximo ao aeroporto Santos Dumont, nesta quinta-feira (5)Reginaldo Pimenta / Agência O Dia
De acordo com o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), entre 2019 e 2024 houve uma redução significativa da carga orgânica despejada na baía — uma queda de 35%, segundo relatórios técnicos do Programa de Saneamento Ambiental dos Sistemas de Esgotos Sanitários da Área da Baía de Guanabara (PSAM), coordenado pela Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade (Seas).
A recuperação do ambiente aquático tem impacto direto na pesca artesanal, atividade tradicional que sofreu forte retração nas últimas décadas. Com a poluição intensa, muitas espécies deixaram de ser encontradas em regiões antes abundantes, como os arredores da Ilha do Governador, Magé, São Gonçalo e Paquetá. A baixa oferta de pescado provocou perdas econômicas, insegurança alimentar e o abandono da profissão por parte de muitos trabalhadores.
“Eu costumava pescar desde pequeno com meus pais saindo de diversos pontos do Rio de Janeiro. E com a gente tendo a Baía de Guanabara com uma diversidade imensa de peixes podemos usufruir disso de uma forma muito melhor. Eu pesco por diversão, mas existem muitos outros pescadores que têm isso como sustento, então a Baía de Guanabara limpa representa algo muito importante para nós”, explicou Danilo Serafim, que é coordenador de logística e pescador amador.
O novo ciclo de despoluição é resultado de um esforço conjunto entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro, a Cedae, prefeituras da Região Metropolitana e consórcios privados. Entre as medidas mais relevantes estão a modernização das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs), a dragagem de canais e rios que deságuam na baía, além de ações de reflorestamento de margens e educação ambiental.

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