Caso aconteceu na entrada do Estádio do MaracanãDivulgação/ Conmebol

Rio - A 42ª Vara Criminal do Rio aceitou a denúncia por racismo contra os vigilantes Erika Nascimento dos Santos e Carlos Augusto de Paula Maciel Machado. De acordo com o Ministério Público do Rio (MPRJ), a dupla submeteu uma mulher negra a uma revista vexatória na entrada do estádio do Maracanã, na Zona Norte, em novembro do ano passado.
A denúncia aponta que Erika e Carlos insistiram em revistar o cabelo da vítima, extrapolando os limites legais durante a abordagem e causando uma situação constrangedora. Por fim, a mulher e o marido foram impedidos de acessar o estádio para assistir ao jogo entre Fluminense e Fortaleza.
Para o MPRJ, a conduta dos seguranças da empresa Sunset Vigilância e Segurança aponta: direcionamento discriminatório da inspeção, ausência de justa causa para a revista pessoal invasiva, não disponibilização de ambiente reservado para a busca corporal e falta de supervisão policial. 
Os relatos da vítima apontam que a busca pessoal incluiu toque nos seios e revista completa nas roupas da mulher. Por fim, Erika agarrou o cabelo da torcedora, que deu dois passos para trás e disse que não permitiria tal atitude. "A denunciada, no entanto, de modo invasivo e desrespeitoso, argumentando adotar procedimento padrão da empresa de vigilância, prosseguiu na ação ilícita, insistindo em revistar ela própria, manualmente, o cabelo da vítima", descreveu o MPRJ.
Ainda segundo a ação penal ajuizada, o marido da vítima interveio, discutindo com o supervisor Carlos Augusto. O acusado determinou que sua subordinada prosseguisse com os atos discriminatórios, sob pena de barrar seu ingresso ao estádio. Mesmo após serem liberados e prosseguirem para a rampa de acesso, os denunciados abordaram o casal novamente e os conduziram ao posto policial, impedindo o acesso de ambos ao interior do estádio.
Além da responsabilização criminal dos envolvidos, o MPRJ requereu à Justiça a suspensão das atividades da empresa Sunset Vigilância & Segurança pelo prazo de três meses. Procurada, a empresa ainda não se manifestou sobre o caso. O espaço segue aberto para eventuais manifestações.