Oruam e seus amigos atiraram pedras contra o carro dos policiais no JoáReprodução
Jovem envolvido em confusão que deflagrou prisão de Oruam apresenta laudo falso em unidade do Degase
Menor Piu, apontado como ladrão de carros e segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, cumpre medidas socioeducativas
Rio - O adolescente alvo de um mandado de busca e apreensão no Joá, na Zona Oeste, no último dia 21, dia da confusão que motivou a prisão do rapper Oruam, apresentou um laudo médico falso para não retornar à uma unidade do Departamento Geral de Ações Sócio Educativas (Degase).
Conhecido como Menor Piu, o jovem, de 17 anos, é apontado pela Polícia Civil como ladrão de carros e como segurança do traficante Edgar Alves de Andrade, o Urso ou Doca, uma das lideranças do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha, na Zona Norte.
No último dia 21, agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) monitoravam o adolescente e descobriram que ele estava na casa do rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, o Oruam. Ao deixar a residência, junto com outras quatro pessoas, Menor Piu foi abordado pelo delegado Moyses Santana e pelo policial Alexandre Ferraz, ocasião na qual foi anunciada a apreensão dele, bem como dos bens que portava: um celular e um cordão.
A presença dos policiais próximo à casa gerou revolta de Oruam e de outras pessoas, que jogaram pedras na equipe. O cantor, preso no último dia 22, virou réu por tentativa de homicídio e é acusado em um segundo processo pelos crimes de lesão corporal, tentativa de lesão corporal, resistência com violência, desacato, ameaça e dano a patrimônio público.
Com a confusão, o adolescente conseguiu escapar, mas se entregou no dia seguinte. Ele recebeu liberdade na última sexta-feira (25) para cumprir medidas socioeducativas, tendo que dormir em unidade do Degase, além de ir à escola durante o dia. Nos fins de semana, o jovem pode ir para casa.
No entanto, Menor Piu não retornou à unidade nesta terça-feira (29) depois da apresentação de um atestado assinado por uma médica da Clínica da Família Doutor Felippe Cardoso, na Penha, na Zona Norte. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o laudo é falso e não há nenhum cadastro ou registro de atendimento com o nome do adolescente.
O caso foi registrado na 37ª DP (Ilha do Governador) e encaminhado para a 21ª DP (Bonsucesso). De acordo com a Polícia Civil, os agentes investigam o crime de uso de documento falso para justificar o não regresso do jovem para a unidade do Degase.
O processo do adolescente corre em segredo de Justiça. A reportagem não localizou sua defesa. O espaço está aberto para manifestação.
Tentativa de homicídio
Oruam e o amigo Willyam Matheus Vianna Rodrigues Vieira, de 22 anos, viraram réus, nesta terça-feira (29), pelo crime de tentativa de homicídio contra o delegado Moyses Santana e contra o policial Alexandre Ferraz.
Segundo a denúncia do MPRJ, ambos agiram com dolo eventual, ou seja, assumiram o risco de matar. A promotoria destaca que algumas das pedras arremessadas pesavam até 4,85 kg, com potencial para causar lesões fatais. Ao todo, sete pedras teriam sido jogadas de uma janela do andar superior, em uma altura de 4,5 metros. Diante da gravidade dos fatos, o MPRJ pediu a prisão preventiva dos dois, alegando risco à ordem pública e à condução das investigações.
A juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal do Rio, que aceitou a denúncia, destacou que os acusados assumiram o risco da letalidade da ação.
"Da mesma forma que uma arma de fogo pode instrumentalizar um delito de lesão - dependendo da região do corpo, distância e eventual socorro fornecido à vítima -, o instrumento eleito pelos denunciados, aliado à pontaria (cabeça das vítimas), dimensão, volume e quantidade das pedras, bem como método de arremesso de cima para baixo, ganha especial relevância em termos de análise do elemento subjetivo, no caso o dolo eventual, na medida em que as circunstâncias e comportamento subsequente dos agentes não revela arrependimento, indiciando que assumiram o risco da letalidade da ação", escreveu.

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