Foto de Adriano em cartaz do Disque DenúnciaReprodução

Rio – Adriano Carvalho de Araújo, apontado como um dos suspeitos de envolvimento no atentado contra o bicheiro Vinicius Drumond, realizado no último dia 11 de julho, foi preso nesta quinta-feira (31) em Duque de Caxias, Baixada Fluminense. De acordo com as investigações, o detido utilizava um carro de modelo HB20 branco durante o crime.
A Polícia Civil também identificou um outro suspeito de ter participado do ataque: Jorge Affonso Marins de Assis, que teve pedido de prisão temporária decretada pela Justiça. Após a tentativa de execução, ele câmeras de segurança o flagraram retornando ao interior de um shopping da região para buscar mais informações que pudessem ajudar seus cúmplices a planejar uma nova emboscada.
Além disso, segundo a corporação, os alvos das ações estão envolvidos com a clonagem dos veículos utilizados pela quadrilha.
Além de Adriano, as autoridades já prenderam o ex-policial militar Deivyd Bruno Nogueira Vieira, o "Piloto", e o PM da ativa Luiz César da Cunha, lotado no 15º BPM (Caxias), que se entregou na última segunda-feira (21). A Delegacia de Homicídios (DHC) investiga o caso.
O caso
Vinicius Drumond é apontado como um dos membros da nova cúpula do jogo do bicho do Rio. O ataque ao contraventor ocorreu por volta das 11h, na Avenida das Américas, a principal da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, perto da Estação Ricardo Marinho do BRT. O carro que ele conduzia recebeu ao menos 30 tiros, mas a vítima sofreu apenas lesões leves devido à blindagem do veículo.
De acordo com as investigações, depois da ação criminosa, os automóveis usados seguiram pela mesma via e acessaram a Avenida Lúcio Costa, para em seguida traçarem caminhos distintos. O veículo de onde partiram os tiros foi encontrado no bairro de Guaratiba, abandonado, com um dos pneus estourado, e o outro, em Duque de Caxias. Ambos foram adaptados para serem usados no atentado, já que contavam com "seteiras", como são conhecidos furos feitos na lataria ou nas janelas para que armas sejam posicionadas antes dos disparos.
Depois de abandonarem o automóvel em Guaratiba, seus ocupantes, todos portando armas longas e balaclavas, abordaram a proprietária de um outro veículo e a obrigaram a transportá-los até Nova Iguaçu, às margens da Rodovia Presidente Dutra. Lá, eles foram "resgatados" por outro integrante da organização criminosa.
Herdeiro de Luizinho
Vinicius Drumond é apontado como um dos chefes do jogo do bicho na capital. Herdeiro direto da contravenção, ele é filho de Luizinho Drumond, bicheiro que controlava a Zona da Leopoldina e morreu em 2020, vítima de um AVC. Luizinho também foi presidente da Imperatriz e comandou a Liesa no início da década de 2000.
No início de fevereiro, ele foi alvo da Operação Ouro Negro, deflagrada pela Polícia Civil contra integrantes de uma quadrilha especializada no furto de petróleo e derivados em dutos subterrâneos da Petrobras.
Segundo as investigações, o grupo seria comandado por Vinícius. Na ocasião, foram cumpridos mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos suspeitos.
De acordo com a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD), o bicheiro estaria envolvido em diversas atividades ilícitas, como agiotagem, lavagem de dinheiro e corrupção. A polícia afirma que Drumond atua por meio de "laranjas", o que dificulta o rastreamento de suas ações. Ainda segundo os investigadores, as provas coletadas indicam sua participação direta e liderança nos crimes apurados.
Nove dias após essa operação, Vinicius voltou a ser alvo da Polícia Civil, desta vez em uma ação relacionada ao assassinato do empresário Manuel Agostinho Rodrigues de Miranda, de 66 anos. Ao todo, 13 pessoas foram alvo da operação.
O crime aconteceu em 29 de setembro de 2023, na Rua Bispo Lacerda, em Del Castilho, na Zona Norte. O veículo de Agostinho foi atingido por diversos disparos de fuzil, que arrancaram a maçaneta da porta do motorista, ponto onde os tiros foram concentrados.
De acordo com as autoridades, o empresário também tinha envolvimento com a contravenção e era ligado à família Drumond, tendo sido sócio de Luizinho Drumond no passado. Após a morte do patriarca, no entanto, desentendimentos internos teriam provocado o rompimento entre os grupos, culminando na execução de Agostinho.
Vinicius também já ocupou o cargo de vice-presidente executivo da Imperatriz Leopoldinense, atualmente presidida por sua irmã, Catia Drumond.