Materiais apreendidos em central clandestina de internetÉrica Martins/Agência O DIA
A operação é um desdobramento de investigação em andamento, que teve início a partir da análise de dados técnicos e relatos encaminhados à especializada, indicando a existência de provedores atuando de forma irregular em comunidades dominadas por facções criminosas. No decorrer da apuração dos fatos, foi possível determinar a atuação de empresa, vinculada ao Comando Vermelho, operando na região do Morro do Quitungo, e outra instituição com ligação ao Terceiro Comando Puro, com atuação predominante em Cordovil, Cidade Alta e adjacências.
De acordo com os agentes, a investigação demonstrou que ambas atuam com apoio logístico de criminosos armados, que impedem a entrada de operadoras licenciadas, promovendo, inclusive, o vandalismo de redes técnicas e a destruição de cabos de fibra óptica.
Com apoio da Subsecretaria de Inteligência (Ssinte) da Polícia Civil, a distrital mapeou as conexões clandestinas. Na região do Morro do Quitungo foi constatada a existência de postos de vigilância armada e grande restrição à mobilidade institucional, o que reforçou que as atividades empresariais ocorriam sob proteção armada da organização criminosa.
"São duas empresas grandes atuando e as duas possuem um CNPJ regular. Entretanto, a sua forma de agir é irregular, porque eles impõem um monopólio forçado por conta das organizações criminosas que atuam nesses territórios. Na verdade, a sua atuação é vinculada a essas organizações e trazem prejuízos incalculáveis à população", explicou.
Ainda segundo o delegado, o serviço prestado é de baixa qualidade. "Nessa investigação ficou bem claro, há notícias de hospitais, escolas e pequenos comerciantes com prejuízo por conta desse serviço de baixa qualidade, que não possui concorrência. Sempre que não há concorrência, o preço sobe e a qualidade caem, então a atuação da DDSD hoje é restabelecer a livre concorrência e garantir o direito à conectividade do cidadão", reforçou.
Em fevereiro deste ano, minutos após técnicos de uma das empresas clandestinas serem flagrados atuando na rede, próximo ao Morro do Quitungo, a operadora licenciada reportou queda abrupta de sinal na região. Posteriormente, a equipe confirmou o rompimento dos cabos instalados. Além disso, verificaram que materiais furtados de operadoras regulares estavam sendo utilizados no interior da sede da empresa clandestina.
O responsável pela empresa supostamente ligada ao Comando Vermelho, Rogério Nascimento, possui anotações criminais por tráfico de drogas, furto de energia e receptação. Em depoimento, declarou já ter recebido propostas de facções criminosas para assumir o serviço de internet em outras comunidades, inclusive relatando repasses periódicos a lideranças do tráfico em forma de doações e contribuições "comunitárias".
Em relação ao estabelecimento ligado ao Terceiro Comando Puro, o proprietário já foi autuado em flagrante por receptação qualificada, quando agentes encontraram grande volume de cabos pertencentes a operadoras regulares no interior de um galpão.
"Isso é uma falácia que não se sustenta. A empresa do Rogério opera há mais de 30 anos no mercado, em um vasto espaço territorial. Não há sequer figura do monopólio. Nesse sentido, você verifica que todos os itens apreendidos possuem nota fiscal. O fuzil que foi apreendido, o Rogério possui autorização como colecionador de armas. Não há nenhuma ilicitude, não há nenhuma ilegalidade", frisou.
Marcondes afirmou ainda que Rogério não possui relação com roubos de cabos. "A polícia fala que a Flaquinet só faria seu serviço dentro de uma área de uma determinada facção criminosa, o que não é verdade. E essa ligação de cabos furtados é mais uma ligação que não se sustenta, não tem nenhum indício de que o Rogério roube cabos... Mas tem nota fiscal", acrescentou.












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