Ariane deixa duas filhasReprodução / Instagram
Amigos e familiares lamentam morte de advogada atropelada por jogador: 'Sentimento de revolta'
Ariane Carvalho, de 51 anos, foi atingida pelo carro do atleta Luan Plácido Moreira da Costa em Vargem Grande
Rio – A morte da advogada Ariane Carvalho, de 41 anos, atropelada pelo ex-jogador do Botafogo Luan Plácido Moreira da Costa nesta sexta-feira (8), em Vargem Grande, Zona Oeste do Rio, causou comoção e revolta entre familiares e amigos. Ela foi encaminhada ao Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, mas não resistiu aos ferimentos.
Ao DIA, a amiga de Ariane e também advogada, Daiane Cardoso, comentou sobre o luto e destacou a trajetória da colega. "É um sentimento de revolta, porque a Ariane era uma mulher que lutou muito por justiça. Ela iniciou no direito como secretária, no escritório de advocacia trabalhista, e correu atrás dos seus sonhos. Ela iniciou a faculdade de direito, passou na OAB e agora, quando estava conquistando os frutos da advocacia, ela morre de uma forma tão trágica. Esperamos que a justiça seja feita", lamentou.
Daiane e Ariane se conheceram quando estudaram juntas na faculdade de direito, em 2014, e se tornaram próximas desde então. "A Ariane era uma pessoa maravilhosa, extremamente alegre, que passava uma energia positiva. Uma mulher guerreira, batalhadora, sonhadora, que sempre estava disposta a ajudar todos ao seu redor. Uma mulher que lutava por seus ideais, seus sonhos."
'Ele ceifou muitos sonhos'
O advogado da família, Jorge Delfino, explicou que segundo as informações as quais a defesa teve acesso, Luan avançou o sinal vermelho e estava dirigindo na contramão no momento da colisão. "Quando você pega o veículo, trafega com ele em alta velocidade e avança o sinal de trânsito, você está assumindo o risco."
Jorge também afirmou que a família não quer que Ariane seja "mais um número daqui em diante", cobrou uma investigação "muito bem feita" por parte das autoridades e comentou as reações de Luan na abordagem policial. "Ainda não tive acesso aos autos, mas em que pese tudo que está sendo falado, as reações dele parecem de uma pessoa alcoolizada ou drogada. Eu já vi falarem que ele toma remédios controlados, e isso também tem que ser verificado, se foi uma estratégia para já pensando no futuro, alegar um surto. Mas eu confio que a polícia vai trabalhar nesse caso", ponderou.
Ariane deixou a sua mãe de 80 anos, irmãs, marido e duas filhas. O advogado avaliou o impacto que a morte dela terá para os seus familiares. "A Ariane era a responsável financeira por esta família. Esse agressor, criminoso, tirou, por exemplo, a possibilidade dos filhos da Ariane terem uma vida melhor. Ela era uma profissional muito gabaritada, profissional, respeitada, atuante. Se formos pensar na questão financeira, ele destruiu, também as possibilidades de futuro de toda uma família. Ele ceifou muitos sonhos", lamentou.
Jorge Delfino destacou que há outros casos envolvendo atropelamentos causados por jogadores de futebol. "Nós temos, no Rio e no Brasil, uma cultura de que o jogador de futebol está em uma classe superior, acima do bem e do mal. Esse não é o primeiro caso de atropelamento com morte desse tipo de pessoa, e invariavelmente, para usar uma expressão muito conhecida, isso termina em pizza. Precisamos dar um freio na impunidade, na violência. Essas pessoas não podem sair deliberadamente cometendo crime, mas por serem estrelas, são intocáveis pela Justiça. Isso é inadmissível. Ontem, foi a Ariane. Quantas mais Arianes vão acontecer daqui para frente?"
Liberado após pagar fiança
Luan foi preso em flagrante depois de atropelar três ciclistas e um pedestre na Estrada dos Bandeirantes. O atleta, que atuou na base do Botafogo em 2023, dirigia um veículo e acertou as quatro pessoas por volta das 7h30. O jovem permaneceu no local e acionou o Corpo de Bombeiros.
Policiais do 31º BPM (Recreio dos Bandeirantes) estiveram no local e detiveram o motorista para ele prestar depoimento. De acordo com a Polícia Civil, durante o caminho para a 42ª DP (Recreio dos Bandeirante), Luan apresentou um comportamento agressivo, proferiu ofensas e xingamentos aos agentes e chutou o interior da viatura da Polícia Militar, que danificou o vidro interno do veículo, tendo que ser contido pelos policiais.
Segundo a corporação, o jovem, já na delegacia, tentou novamente agredir os agentes, dando, inclusive, uma cabeçada em um PM. Diante disso, ele foi preso em flagrante por desacato e dano ao patrimônio público.
A Polícia Civil, no entanto, afirmou, em nota deste sábado (9), que o exame de corpo de delito do jogador no Instituto Médico Legal (IML) não acusou uso de álcool ou substâncias ilícitas. As autoridades o soltaram após pagamento de fiança.
As outras vítimas, Wendell de Almeida, de 28 anos, e José Cassiano, de 22, receberam atendimento no Lourenço Jorge e tiveram alta. Já uma segunda mulher, não identificada, está em estado grave, segundo a última atualização.
O velório de Ariane será neste domingo (10), ao meio-dia, no Cemitério da Pechincha. O sepultamento acontece às 16h.
A reportagem tenta contato com a defesa de Luan Plácido. O espaço está aberto para manifestações.






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