Caio Richards, de 24 anos, foi agredido após a partida do BotafogoReprodução
Botafoguense é internado em coma após ser agredido nas proximidades do Estádio Nilton Santos
Familiares afirmam que testemunhas reconheceram os dois agressores da vítima, integrantes da mesma torcida organizada da qual Caio Richards, 24 anos, faz parte. O jovem está em estado grave no Hospital Municipal Miguel Couto
Rio - Familiares do botafoguense Caio Richards, 24 anos, denunciaram que ele foi espancado logo após uma partida do clube alvinegro no Estádio Nilton Santos, no Engenho de Dentro, entre a noite de quinta-feira (14) e a madrugada de sexta (15). Internado no Hospital Municipal Miguel Couto, na Gávea, o porteiro sofreu traumatismo craniano e está com um hematoma no cérebro.
Testemunhas identificaram dois irmãos como os responsáveis pelas agressões. A dupla integra a mesma torcida organizada da qual Caio faz parte. De acordo com familiares da vítima, o jovem deixou o estádio acompanhado de um amigo e os dois decidiram comprar uma cerveja em um estabelecimento próximo. O porteiro, então, ficou esperando em uma calçada enquanto o amigo entrou no local para comprar a bebida. A irmã de Caio, Sthefanie Caracoci, contou a O DIA que as agressões aconteceram neste momento. Um dos agressores teria dito que o rapaz teria cortejado a namorada de um deles, mas a família nega que isso tenha acontecido e está atrás das imagens das câmeras de segurança.
"Segundo testemunhas, o Caio estava parado na calçada e o rapaz passou com a namorada dele. Depois, ele voltou correndo para bater no Caio. A testemunha falou que o Caio levantou as mãos, disse que não queria briga e correu para a outra calçada. Quando o Caio correu, o outro agressor deu uma 'porrada' na cabeça dele de surpresa. O amigo dele, quando viu a briga, saiu para chamar o Caio para ir embora porque já estava tendo confusão. Quando chegou na calçada, viu que o Caio estava caído no chão e uma pessoa estava segurando a cabeça dele", contou a assistente operacional de 31 anos.
"Ele reconheceu quem bateu no Caio e disse: 'Pô, que isso?'. E o outro rapaz respondeu: 'Isso que dá olhar, ou mexer, com a mulher dos outros'. A gente não sabe exatamente o que ele falou. O Caio e esses dois irmãos, ou um desses irmãos, já viajaram em uma mesma caravana para assistir ao Mundial do Botafogo. Eles não são amigos, mas são da mesma torcida organizada. Eles se conheciam de vista. A gente tem recebido muitos relatos de que os dois irmãos sempre arrumam briga e um deles até perdeu a visão de um olho por causa de briga", ressaltou.
De acordo com o amigo de Caio, a ambulância demorou cerca de 40 minutos para chegar ao local do resgate. Ainda desacordado, o jovem deu entrada no Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca. A família chegou na unidade e recebeu a informação de que o rapaz estava entubado e sedado, porque a pancada na cabeça havia sido muito forte.
Na manhã de sexta-feira, o porteiro foi transferido ao Hospital Municipal Miguel Couto. Segundo Sthefanie, os médicos do hospital não estavam otimistas com a melhora do Caio e, durante o dia, ele passou por uma cirurgia. Em nota enviada nesta segunda-feira (18), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que o estado de saúde do paciente é considerado grave.
"Os médicos chamaram eu, minha mãe e meu outro irmão e disse que não tinha mais o que fazer. Ele disse que a única coisa que ele poderia falar para a gente é para a gente ter fé. Depois de meia hora, o médico apareceu de novo e disse: 'Não sei o que vocês fizeram, mas o Caio reagiu. A gente está subindo com ele para a cirurgia agora'. Uma enfermeira disse que ele havia tentado abrir os olhos e que a gente devia continuar com essa fé. Na noite de sexta-feira, a gente teve a notícia de que a cirurgia tinha sido boa e ele ficou estável durante a cirurgia toda", contou.
No sábado (16), a família esteve na 24ª DP (Piedade) para registrar a ocorrência e passar informações sobre os dois irmãos apontados como os responsáveis pelas agressões. De acordo com a Sthefanie, os policiais afirmaram que o investigador só estaria disponível na segunda-feira e orientaram para que eles retornassem nessa data. Com isso, os familiares voltaram a distrital no dia combinado, mas receberam novamente a informação de que o investigador não estava presente.
Procurada, a Polícia Civil afirmou que a investigação está em andamento na 24ª DP (Piedade) e testemunhas serão ouvidas. "Agentes buscam por imagens de câmeras de segurança e realizam outras diligências para apurar a autoria e esclarecer as circunstâncias dos fatos", comunicou a instituição.

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