Prisão foi realizada por agentes da Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat)Érica Martin / Agência O Dia
Polícia prende acusada de aplicar golpe do 'Boa noite, Cinderela' em turistas britânicos
Mayara Ketelyn Américo da Silva participou do crime que dopou vítimas em Ipanema, na Zona Sul
Rio - A Polícia Civil prendeu, na manhã desta sexta-feira (5), Mayara Ketelyn Américo da Silva, acusada de aplicar o golpe "Boa noite, Cinderela" em dois turistas britânicos, em agosto, em Ipanema, na Zona Sul. A mulher foi encontrada escondida em um motel, em Bonsucesso, na Zona Norte. Ela responde pelos crimes de roubo com violência imprópria, furto qualificado por fraude eletrônica e associação criminosa.
A Delegacia Especial de Apoio ao Turismo (Deat) localizou a acusada no momento em que ela ia entrar em um carro de aplicativo para sair do motel. Os agentes receberam a informação de seu paradeiro através do Disque Denúncia.
Segundo a denúncia do Ministério Público do Rio (MRPJ), Mayara, Amanda Couto Deloca - presa em agosto - e Raiane Campos de Oliveira (ainda foragida) conheceram as vítimas em um evento na Fundição Progresso, na Lapa, na região central. O trio convidou os turistas a continuar a noite na orla de Ipanema, oferecendo caipirinhas com substância capaz de causar sonolência e desorientação.
"Essas meninas geralmente selecionam turistas estrangeiros por serem mais vulneráveis. Elas dividem as tarefas, uma seduz, outra geralmente rouba e outra coloca as drogas nessas bebidas. É preciso ter uma atenção quando você tem um encontro com pessoas que você não conhece, atenção com a bebida e não levem as pessoas para suas residências. Grande parte dos casos são em apartamentos alugados", disse a delegada Patrícia Alemany, titular da Deat.
Vídeos que circularam nas redes sociais na época mostram um dos turistas desacordado na areia da praia, na altura do Posto 9. Um homem passava pela Avenida Vieira Souto e gravou o momento em que a vítima, já desorientada, cambaleou pelo calçadão até cair com o rosto na areia. Posteriormente, a testemunha viu as mulheres entrando em um táxi e fugindo.
Mihailo Petrovic e Diego Bravo tiveram um prejuízo estimado de R$ 110 mil. Somente um deles teve R$ 14 mil roubados enquanto estava dopado.
Ainda de acordo com a denúncia do MPRJ, o trio acessou conta de Mihailo e tentou realizar uma transação não autorizada no valor de £16.000 (dezesseis mil libras). A operação não foi concluída devido à exigência de reconhecimento facial, mas as denunciadas conseguiram roubar £2.100 (duas mil e cem libras), sendo £300 utilizadas para compra de criptomoeda e £1.800 transferidas em quatro operações.
Na denúncia, o MPRJ solicita ainda que as acusadas indenizem cada vítima em R$ 30 mil por danos materiais e morais.
Foragida
Rayane Campos, a única foragida pelo crime, possui cerca de 20 anotações pelo mesmo golpe. Em 2024, ela foi presa e condenada a seis anos de prisão, mas sua defesa recorreu pedindo absolvição e liberdade, o que desembargadores da 8ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) aceitaram.
O processo sobre Rayane foi iniciado após um turista inglês relatar que estava na Pedra do Sal, na região central, com um amigo. Lá conheceram três mulheres. Eles foram junto com o trio para um apartamento em Copacabana, na Zona Sul. Depois de beber um copo de água, ele ficou desacordado. Após acordar, percebeu que o celular havia sido furtado, assim como outros bens. O caso ocorreu em outubro de 2023.
*Colaboração de Érica Martin




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