André Muzell recebeu atendimento no Hospital Municipal Albert Schweitzer, em RealengoReprodução / Factual RJ
Cinegrafista agredido em Senador Camará abre 'vaquinha' para compra de equipamentos roubados
Jornalista, que já teve alta, foi sequestrado e teve os dentes quebrados por traficantes
Rio - O cinegrafista André Muzell, que foi agredido por traficantes durante operação policial em Senador Camará, na Zona Oeste, abriu uma vaquinha virtual, nesta sexta-feira (5), para arrecadar o valor dos equipamentos que foram roubados depois que foi sequestrado pelos criminosos.
O jornalista, que teve os dentes quebrados, revelou que teve câmeras, celulares e notebook roubados. Com o dinheiro arrecadado na vaquinha, que tem meta inicial de R$ 25 mil, André pretende comprar uma nova câmera, um celular e um notebook para retomar a rotina de trabalho.
"Consegui fugir e buscar ajuda, mas o trauma e as perdas materiais foram imensos. Essa não é apenas a perda de ferramentas de trabalho; é a perda da minha capacidade de continuar fazendo o que amo e o que me sustenta. A cobertura policial exige agilidade e equipamentos de qualidade, algo que hoje não tenho mais", afirmou.
Após ser sequestrado e agredido, André foi socorrido por policiais do Batalhão de Polícia de Choque (BPChq)e levado ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o jornalista recebeu alta ainda nesta quinta-feira (4).
O caso é investigado pela 34ª DP (Bangu).
Jornalista não filmava traficantes
Em um vídeo compartilhado no canal do Youtube do portal Factual RJ, para onde a vítima fazia imagens da ação, o responsável pela página destacou que Muzell filmava uma barricada em chamas e não a presença de criminosos na região.
"Eu estava com ele e depois saí. Minutos depois, um policial do Choque me ligou e disse que meu amigo havia sido agredido covardemente por traficantes da Vila Aliança. Os caras estavam armados com fuzis, deram coronhada na boca dele, quebrou dentes dele. Roubaram os pertences, equipamento, capacete e celular. Foi uma covardia, agrediram um jornalista que estava trabalhando e não tinha nada a ver com a história", disse.
Operação
A operação das polícias Civil e Militar mirou traficantes envolvidos na morte de Sther Barroso dos Santos, de 22 anos, estuprada e brutalmente espancada, após um baile funk na região, por se recusar a ter relações sexuais com Bruno da Silva Loureiro, o Coronel, chefe do tráfico da comunidade do Muquiço, em Guadalupe, na Zona Norte. O criminoso e José Rodrigo Gonçalves Silva, o Sabão da Vila Aliança, eram os principais alvos da ação e estão foragidos.
Bandidos que tentavam fugir dos agentes fizeram um pastor e uma criança reféns dentro de uma casa. Eles trocaram tiros com policiais civis que localizaram o imóvel e seis acabaram morrendo. Não há informações sobre as identificações dos criminosos e as vítimas foram resgatadas sem ferimentos. A ação terminou com quatro fuzis apreendidos.
Nesta sexta-feira (5), 28 unidades escolares continuaram fechadas por conta da violência, de acordo com a Secretaria Municipal de Educação (SME). Além disso, nas regiões de Bangu e Senador Camará, segundo a SMS, uma unidade de Atenção Primária precisou suspender o funcionamento nesta sexta, para segurança de pacientes e funcionários, e outras duas unidades mantêm o atendimento à população, mas suspendeu as atividades externas.

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