Os deputados Tarcísio Motta e Professor Josemar discutem com guardas municipaisDivulgação/Paula Cosenza

Rio - A desocupação de um prédio na Avenida Venezuela, no Centro, terminou em confusão na manhã deste domingo (7). O imóvel abandonado era ocupado por cerca de 120 famílias sem-teto da Ocupação Luisa Mahin - Palestina Livre.

Durante a ação, policiais militares, agentes da Secretaria de Ordem Pública (Seop) e da Guarda Municipal do Rio (GM-Rio) usaram gás de pimenta para dispersar os ocupantes e manifestantes após um tumulto dentro do prédio.

Os deputados Professor Josemar e Tarcísio Motta, ambos do Psol, estiveram no local e acusaram guardas municipais de agressão. Eles afirmam que defendiam os direitos das famílias quando foram abordados.

Vídeos mostram os parlamentares tentando atravessar um cordão de isolamento e sendo contidos pelos agentes. Em meio à discussão, um guarda dispara gás de pimenta contra os dois. Outro registro flagrou o momento em que os ocupantes foram retirados do prédio sob protestos de manifestantes do lado de fora.

Tarcísio Motta classificou a operação como "violação muito grave dos direitos humanos" e uma "ilegalidade". Segundo ele, não havia ordem judicial de despejo. "As famílias ocuparam o prédio por volta de 5h. Portanto, não se sustenta essa questão de ação imediata que o Governo do Rio e, principalmente, a prefeitura estão alegando", disse.

O deputado acrescentou que o imóvel já teria sido destinado pelo Patrimônio da União para abrigar pessoas em situação de vulnerabilidade. "Houve uma violação ao direito à moradia neste prédio abandonado, já destinado para moradia popular. E, ao mesmo tempo, violação com violência, como foi feito".
Motta registrou ocorrência na Cidade da Polícia.

O que diz a prefeitura
Através das redes sociais, o prefeito Eduardo Paes (PSD) repudiou a ocupação e disse que o movimento partiu do Psol. "Dessa vez ocuparam um prédio aonde iniciaremos em breve as obras do Centro Cultural Rio África que vai tratar da diáspora Africana para o Brasil. Tudo isso em frente ao Sítio Histórico do Cais do Valongo. Conversei com o governador Cláudio Castro e a determinação é para que a guarda municipal e a Polícia Militar façam imediatamente a desocupação da área", escreveu. Leia o pronunciamento na íntegra:
Em nota, a Prefeitura do Rio informou que a Polícia Militar, com apoio da GM-Rio e de agentes da Seop, agiu e desocupou o prédio. Sobre o tumulto e as acusações de agressão contra os deputados, o órgão não se manifestou.
O Governo do Rio foi contatado por O DIA, mas ainda não se pronunciou. O espaço segue aberto.