A atleta paralímpica de rugby Hawanna Cruz Ribeiro recuperou 70% do controle do tronco após uso do medicamentoDivulgação / Laboratório Cristália
A pesquisadora Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ, trabalhou nos últimos 25 anos, juntamente com uma equipe de biólogos, em um estudo sobre o poder de reparação da proteína laminina, que atua no sistema nervoso, quando multiplicada.
Na apresentação da farmacêutica Cristália, que tem atuado desde 2018 em parceria com os pesquisadores para a produção da Polilaminina, dois dos oito voluntários que passaram pelo procedimento estiveram presentes. Uma delas foi a atleta paralímpica de rugby Hawanna Cruz Ribeiro, de 27 anos, que ficou tetraplégica em 2017 após uma queda de dez metros de altura, no terceiro andar do apartamento onde residia.
"Três anos depois do acidente, eu recuperei entre 60% e 70% do controle do meu tronco. Sinto que a sensibilidade na minha bexiga voltou, mas ainda não sou independente nessa questão. Não tenho nenhuma dúvida da minha melhora", afirmou Hawanna.
Além dela, o bancário Bruno Drummont de Freitas, de 31 anos, sofreu um acidente de trânsito em abril de 2018 e fraturou a coluna vertebral na altura do pescoço, perdendo completamente a sensibilidade e o controle motor dos braços e das pernas. O tratamento com Polilaminina foi realizado 24 horas depois do acidente e, com o passar do tempo, ele apresentou melhoras.
O medicamento também foi aplicado em cachorros que tiveram lesões no local e conseguiram a retomada de boa parte da marcha naqueles que tiveram o órgão neural rompido.
O que é a Polilaminina?
A Polilaminina é uma substância criada em laboratório a partir de uma proteína natural do corpo chamada laminina. Quando aplicada diretamente na medula espinhal lesionada, ajuda os nervos a se reorganizarem e voltarem a se comunicar, o que pode permitir que pessoas com lesão medular recuperem parte ou totalmente os movimentos.
O medicamento é aplicado uma única vez, diretamente na área lesionada da medula, durante uma cirurgia que o paciente já faria para aliviar a pressão na coluna. Idealmente, o tratamento deve ser feito até 24 horas após o acidente, mas já há casos em que funcionou mesmo dias depois. Após a aplicação, o paciente continua o tratamento com fisioterapia. A substância ajuda os “braços” dos neurônios a crescerem e se reconectarem, permitindo que o corpo volte a funcionar normalmente.




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