Estado recebeu do Ministério da Saúde a primeira remessa de etanol farmacêuticoDivulgação / SES-RJ

Rio - A Secretaria Estadual de Saúde do Rio (SES-RJ) descartou, nesta segunda-feira (6), o caso suspeito de intoxicação por metanol em uma moradora de Niterói. Uma segunda notificação, de um homem residente em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos, segue em investigação. Ele está sendo monitorado e apresenta bom estado de saúde. 
Diante do registro de casos suspeitos e do risco de intoxicação por consumo de álcool adulterado, o governo do Rio iniciou a compra de kits com antídotos para tratar intoxicações por metanol. A primeira remessa de etanol farmacêutico, utilizado no tratamento, foi enviada ao estado pelo Ministério da Saúde no início da tarde desta segunda-feira.

"Reforçamos a urgência de ter o antídoto no estado, porque o tempo é primordial para o sucesso do tratamento para a intoxicação. O nosso Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde monitora de perto as suspeitas registradas até o momento. Seguiremos trabalhando em prol da saúde da população fluminense. E recomendamos evitar bebidas de procedência duvidosa," afirmou a secretária estadual de Saúde, Claudia Mello. 
O Hospital Estadual Anchieta foi definido como unidade de referência para atendimento a pacientes com suspeita de intoxicação por metanol. Os sintomas iniciais podem incluir visão turva, desconforto gástrico e sinais semelhantes a uma gastrite comum, mas a intoxicação pode causar complicações graves, como cegueira irreversível e morte.

Unidades de saúde em todo o estado foram orientadas a identificar sinais compatíveis com esse tipo de contaminação. As prefeituras também foram instruídas a enviar amostras suspeitas para análise no Laboratório Central de Saúde Pública Noel Nutels (Lacen-RJ), que tem parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) para realização dos exames.
O Ministério da Saúde anunciou que recebeu 217 notificações de intoxicação por metanol após consumo de bebida alcoólica. Desse total, 17 casos foram confirmados e 200 estão em investigação. O boletim mais recente com atualização dos casos foi divulgado pela pasta na noite desta segunda-feira (6).
Médicos explicam o que a intoxicação por metanol pode causar
O DIA conversou com médicos para sanar as principais dúvidas sobre o que a substância pode causar. O presidente do Capítulo Toxicologia Clínica, da Sociedade Brasileira de Clínica Médica (SBCM), Sergio Emmanuele Graff, explicou que o metanol é um álcool, assim como o etanol, que é o utilizado em bebidas destiladas.

De acordo com a médica endocrinologista Fernanda Parra, os primeiros sintomas da intoxicação podem aparecer poucas horas após a ingestão do metanol. “Os sintomas são muito semelhantes, inclusive, à ressaca. São eles: dor de cabeça, enjoo, tontura… O que chama a atenção é que pode, em casos mais graves, ter visão embaçada, cegueira, que é o que a gente tem visto bastante”, informa.