Etevaldo Bahia seria de Salvador e não tinha familiares no Rio de JaneiroReprodução/Redes Sociais
Percussionista baiano está entre as vítimas de execução em Irajá
Etevaldo 'Bahia' fazia parte do Movimento Afro Cultural Batikum Ilu Odara. Amigos tentam encontrar parentes já que ele não tinha documentos
Rio - O percussionista Etevaldo Bispo dos Santos, conhecido como 'Bahia', de 52 anos, está entre as vítimas de uma execução, na madrugada desta sexta-feira (17),em Irajá, na Zona Norte. Ele e outras duas pessoas dormiam embaixo dos trilhos suspensos do metrô, ao lado da entrada da estação, às margens da Avenida Pastor Martin Luther King Jr., quando foram atacados a tiros. Apenas um sobreviveu, mas permanece internado.
O local onde o crime aconteceu costumava receber oficinas e ensaios do Movimento Afro Cultural Batikum Ilu Odara, das quais Etevaldo participava. Segundo o relato de um dos membros do grupo, Luccas Xaxará, Etevaldo era deficiente e dizia ter sido percussionista em Salvador, onde nasceu. Em um vídeo nas redes sociais, ele fez um apelo para tentar localizar familiares de "Bahia" para realizar o sepultamento, já que ele não tinha documentos e nem sequer familiares no Rio de Janeiro.
"Ele sempre esteve participando dos nossos ensaios, cantando, conversando com a galera, trazendo um pouco da memória dele, da cidade dele (...) A gente está mobilizando para tentar chegar a familiares, à pessoas que conheceram o Etevaldo, para ver se a gente consegue algum documento oficial, para oferecer um sepultamento digno", afirmou Xaxará.
"As pessoas que moram embaixo do viaduto do metrô de Irajá sempre nos acolheram muito bem, receberam nossos ensaios, nossas oficinas, nunca tivemos nenhum problema. A comunidade ao redor acolhia essas pessoas, ofereciam diferentes serviços, ajudavam eles a se manter, então a gente não entende o que motivou esse crime, o sentido para essa brutalidade no nosso território. A gente pede que as autoridades se envolvam na investigação, para que a gente possa ter alguma resposta e atentados como esse não voltem a acontecer no nosso território", completou.
Moradores de Irajá que preferiram não se identificar, disseram que "Bahia" sofria com sequelas de um AVC e tinha uma ex-mulher, que teria voltado para Salvador. Eles afirmaram que a vítima era conhecida por pessoas que vivem na região e não tinha desavenças com ninguém. Etevaldo também teria sido cabeleireiro e costumava pedir dinheiro no sinal. Até o momento, a Polícia Civil não divulgou as identidades das vítimas, que teriam idades entre 40 e 50 anos. O caso foi encaminhado à Delegacia de Homicídios da Capital (DHC).
Uma mulher chegou a ir até o local do crime na manhã desta sexta-feira, por acreditar que uma das vítimas pode ser seu ex-marido, com quem tem quatro filhos. "Ele era morador de rua, um tempo estava aqui, um tempo estava em outro local. De vez em quando ele ia na minha casa ver os filhos, visitar os netos. Ele era estofador e técnico de eletrônica, mas se envolveu nesse mundo de porcaria, se afundou e veio morar na rua", afirmou.
De acordo com a Polícia Militar, o crime aconteceu quando criminosos em um carro passaram atirando contra as vítimas. O Corpo de Bombeiros chegou a ser acionado, mas Etevaldo e o outro homem já estavam sem vida. Os militares encontraram Jaílton Matias Anselmo, de 37 anos, ferido e o encaminharam, em estado grave, ao Hospital Estadual Getúlio Vargas, na Penha, também Zona Norte. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) informou que a família dele não autorizou a divulgação de informações atualizadas sobre o quadro de saúde.




















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