Eduardo Paes e Daniel Soranz em visita à UPA de Costa Barros neste sábado (18) Divulgação/SMS-Rio/ Fabio Motta

Rio - A Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Costa Barros, na Zona Norte do Rio, será reaberta no próximo dia 27 de outubro. A informação foi confirmada pelo prefeito Eduardo Paes (PSD) na tarde deste sábado (18). Segundo ele, o espaço passou por reformas nos últimos dias para melhorar o atendimento à população, que vinha reivindicando a reabertura da unidade.
Entre as mudanças estão a instalação de câmeras de monitoramento dentro e na fachada da unidade. Os equipamentos também passaram por manutenção e os insumos com prazo de validade próxima foram substituídos.
A UPA de Costa Barros está fechada desde 30 de setembro, quando homens armados invadiram o local e sequestraram dois pacientes, após confundi-los com criminosos rivais. Na ocasião, funcionários também foram ameaçados. Por causa da falta de segurança, a Polícia Militar determinou a ocupação do entorno por tempo indeterminado.

"Conversei com o governador Cláudio Castro pela manhã, e mais uma vez ele reafirmou o compromisso das forças de segurança pública na proteção dos profissionais. Quero deixar também um recado muito claro. A Prefeitura do Rio de Janeiro não vai deixar de prestar serviço público em nenhum território desta cidade. É inaceitável que esses vagabundos fiquem ameaçando profissionais de saúde e prejudicando o atendimento à população", disse Paes à imprensa.

Além do prefeito, o secretário municipal de Saúde, Daniel Soranz, também esteve na UPA neste sábado. Um dia antes, Soranz se reuniu com os profissionais da unidade para planejar a retomada do funcionamento do espaço.
UPA não tinha câmeras a mando de bandidos
A reportagem de O DIA apurou que, quando foi invadida por criminosos, a  UPA de Costa Barros era a única da cidade a funcionar sem câmeras de monitoramento, tanto na área interna, quanto na fachada. A ausência do equipamento foi uma determinação de criminosos da região.
De acordo com uma pessoa ligada à pasta, a recolocação dos equipamentos de segurança já teve início, como parte de melhorias realizadas recentemente tendo como objetivo a reabertura da unidade.
Histórico de violência preocupa a prefeitura
A UPA Costa Barros é uma das unidades da cidade que mais tem sofrido com o impacto da violência. Além da invasão de 30 de setembro, recentemente o carro de uma médica foi atingido por tiros quando estava estacionado em frente à unidade. Também houve sequestro de uma ambulância com profissionais de saúde, que foram levados para dentro da comunidade, granadas deixadas nas proximidades.
Segundo uma estimativa da prefeitura, de janeiro até setembro, 78 pessoas baleadas foram levadas para atendimento na UPA Costa Barros, quase o dobro do registrado em todo o ano passado e praticamente o triplo em relação a 2023. Por causa de toda essa situação, vários profissionais já pediram desligamento.

A Secretaria de Saúde do Rio (SMS-Rio) diz que, desde 2023, tem enviado ofícios para as secretarias de estado de Segurança Pública e de Polícia Militar pedindo providências de garantia de segurança para o funcionamento das unidades públicas de saúde, tanto as de urgência e emergência quanto às de Atenção Primária, que ficam dentro das comunidades. "Somente este ano, por 782 vezes alguma clínica da família ou centro municipal de saúde precisou fechar em razão da violência armada nos territórios, e por 1.991 vezes houve interrupção dos atendimentos externos", calcula a prefeitura.

Após a invasão do Hospital Municipal Pedro II, na madrugada de 18 de setembro, e da UPA Costa Barros, menos de duas semanas depois, novos ofícios foram enviados à Secretaria de Estado de Segurança Pública, ainda sem resposta.