UPA de Costa Barros retomou atendimentos após quase um mêsReginaldo Pimenta/Agência O Dia

Rio - A Unidade de Pronto Atendimento de Costa Barros, na Zona Norte, voltou a funcionar, nesta segunda-feira (27), após quase um mês fechada pela violência. A retomada das atividades, no entanto, ocorreu horas depois de um intenso tiroteio no Complexo da Pedreira, entre traficantes da região e criminosos do Complexo do Chapadão. O confronto deixou dois moradores e dois suspeitos mortos
Atualmente, traficantes do Complexo do Chapadão, dominado pelo Comando Vermelho (CV), travam uma guerra contra bandidos do Complexo da Pedreira, controlado pelo Terceiro Comando Puro (TCP), pelas comunidades da região. No dia 30 de setembro, a UPA foi invadida por criminosos armados, que sequestraram dois pacientes, após confundi-los com rivais, e ameaçaram funcionários. Profissionais da unidade chegaram a pedir transferência e suporte psicológico e, desde então, o local estava fechado. 
A UPA reabriu na manhã desta segunda, com a presença do secretário municipal de Saúde, mas funcionários da manutenção, programação visual e limpeza que estavam no local desde a madrugada preparando a retomada, passaram por momentos de terror. "A gente acabou a reforma da unidade sob tiros intensos na região, não foi nada simples", afirmou Daniel Soranz. Vídeos mostram um intenso confronto em uma área próxima à unidade e os profissionais dentro de uma sala para se protegerem dos tiros. No momento da reabertura, mais disparos ocorreram e as pessoas no local também precisaram se abaixar. Confira abaixo.
Não houve feridos e apesar do tiroteio, a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) informou que a unidade mantém os atendimentos. A reportagem do DIA esteve na região na manhã de hoje e novos tiros foram ouvidos, por volta das 10h30. Um veículo blindado e uma viatura da Polícia Militar reforçam o policiamento na área da UPA. No último dia 7, a corporação anunciou ocupação por tempo indeterminado em Costa Barros
"A UPA Costa Barros reabre hoje totalmente revitalizada, com climatização, mobiliário e equipamentos novos para atender ainda melhor a população de Costa Barros. Desde o primeiro momento, nós queríamos abrir a unidade mas, infelizmente, por questões de segurança, se tornou inviável. Esperamos que as forças de segurança mantenham a ocupação da região para garantir a integridade dos pacientes e dos profissionais. É uma unidade essencial para o território, para a comunidade e não pode ser fechada novamente", pontuou o secretário. 
Antes da reabertura, a UPA recebeu a instalação de novas câmeras de monitoramento internas e externas, revisão de equipamentos, substituição de insumos com prazo de validade próximo e pequenos reparos estruturais. A unidade é uma das mais afetadas pela violência no Rio e atende em média 350 pessoas por dia, totalizando cerca de 10,5 mil por mês. Moradores que vinham reivindicando a volta já aproveitaram a retomada desde as primeiras horas de atendimento. Vanessa da Cruz levou o filho até o local e elogiou o serviço.
"Vim trazer meu filho, porque ele está sem comer há dias. Foi rápido o atendimento, a UPA está uma 'belezura', com as câmeras direitinho, tem todos os médicos hoje, a farmácia tem todos os remédios para criança. Tomara que continue assim", afirmou a mulher. 
O Centro Municipal de Saúde Portus e Quitanda, fechado desde 25 de julho por conta da insegurança, também voltou a funcionar nesta segunda. O local vinha realizando atendimentos nas dependências da UPA de Costa Barros, mas o ataque do última dia 30 acabou interrompendo o funcionamento de ambos. A retomada acontece depois que as forças policiais se comprometeram a retirar as barricadas que impediam a passagem de ambulância, pacientes e profissionais. A unidade conta com três equipes de saúde da família e atende uma região de pouco mais de 14 mil habitantes.
Moradora morre baleada ao ser feita refém por bandido
O intenso tiroteio no Complexo da Pedreira entre a noite de domingo (26) e a madrugada desta segunda deixou ao menos três mortos. Entre eles, Marli Macedo dos Santos, de 60 anos, que teve a casa invadida e foi mantida refém junto com o irmão por um criminoso do CV. O bandido fugia de traficantes do TCP e na troca de tiros entre os bandidos, a vítima acabou baleada. 
Policiais militares estiveram no local, conseguiram negociar a rendição do homem a apreenderam dois fuzis. Marli foi socorrida ao Hospital Municipal Albert Schweitzer, em Realengo, na Zona Oeste, mas não resistiu aos ferimentos. A PM informou que outros dois homens, ainda não identificados, morreram nas trocas de tiros. 
Além dos confrontos entre os criminosos, policiais militares também trocaram tiros com os bandidos em dois momentos. Três suspeitos acabaram baleados e cinco foram presos. As equipes ainda apreenderam cinco fuzis, uma granada e munições e seis carros foram recuperados.