Maioria dos confrontos entre agentes e criminosos ocorreu em área de mata, onde moradores buscaram corpos nesta quarta (29)Reginaldo Pimenta/Agência O Dia
Câmeras de PMs podem ter perdido registros em megaoperação, admite secretário
Vida útil da bateria pode ter sido o principal motivo. Número de suspeitos mortos nos complexos da Penha e do Alemão chega a 117
Rio – Em coletiva realizada nesta quarta-feira (29), um dia após a megaoperação mais letal da história do país, nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, Marcelo de Menezes, secretário de Polícia Militar, admitiu que boa parte dos confrontos com criminosos pode não ter sido registrada pelas câmeras corporais dos agentes. O motivo seria a duração da bateria dos equipamentos, que fica em torno de 12 horas.
“A operação começou a ser 'brifada' e começamos a nos reunir, a partir de três da manha. Nossas tropas começaram a incursionar às cinco. Em um policiamento ostensivo, há a substituição dessas baterias. Agora, dado o cenário em que os policiais estavam empregados, atuando nesta operação, certamente em algum momento as baterias perderam a carga, e essas imagens podem ter sido interrompidas, haja vista que não houve oportunidade de chegarmos a esses agentes”.
Dentre as 121 mortes confirmadas até agora pelo secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, estão 117 suspeitos e quatro policiais – sendo dois PMs do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e outros dois agentes da Civil.
Nesta quarta, muitos dos suspeitos mortos ainda estavam sendo retirados por moradores e parentes da área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, onde ocorreram os principais confrontos entre as forças de segurança e criminosos. O transporte dos cadáveres se deu com caminhonetes da própria população. O número pode crescer até o fim do dia.
Ao longo da manhã, parte dos corpos começaram a ser retirados pela Defesa Civil e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML). No local, os cadáveres também foram enfileirados na porta devido à grande quantidade.
De acordo com números oficiais disponibilizados em coletiva de imprensa, 58 mortos foram encontrados na terça (28), incluindo os agentes, e 63 nesta quarta (29). Além disso, 113 suspeitos foram presos, sendo 33 deles de outros estados, e mais 10 adolescentes apreendidos.
Como o alto número de mortes, a Polícia Civil informou que o atendimento às famílias ocorre no prédio do Detran localizado ao lado do IML, a partir das 8h. Nesse período, o acesso será restrito à instituição e ao Ministério Público, que realizam os exames necessários. As demais necropsias, sem relação com a operação, serão feitas no IML de Niterói.
A megaoperação
A megaoperação também resultou na apreensão de 91 fuzis, 26 pistolas, um revólver, 14 artefatos explosivos, centenas de cartuchos e toneladas de drogas. O Governo do Rio diz que esta foi a maior ação integrada das forças de segurança dos últimos 15 anos. A Operação Contenção mobilizou mais de 2,5 mil policiais civis e militares. O objetivo foi capturar lideranças criminosas e conter a expansão territorial do Comando Vermelho.
Essa foi a operação mais letal da história do Rio. O número é mais que o dobro do registrado na operação do Jacarezinho, em maio de 2021, quando 28 pessoas foram mortas.
Em maio de 2022, outra grande operação na Vila Cruzeiro, também na Zona Norte, deixou 24 mortos. Mesmo somando os óbitos das ações de 2021 e 2022, o total não supera o número de óbitos da operação desta terça-feira.










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