Publicado 18/03/2026 21:57 | Atualizado 18/03/2026 21:58
Rio – Moradores do Morro dos Prazeres, na Zona Norte, voltaram a ouvir disparos durante uma incursão de policiais na noite desta quarta-feira (18), horas após uma operação que resultou na morte de seis suspeitos e de Claudio Augusto dos Santos, o Jiló dos Prazeres, chefe do tráfico de drogas na região.
PublicidadeDe acordo com a Polícia Militar, equipes realizavam patrulhamento no entorno da comunidade quando suspeitaram de um homem. Ao notar a presença dos agentes, ele tentou fugir pela Rua Greenalgh, um dos acessos à comunidade, mas acabou alcançado - e conduzido posteriormente à 6ª DP (Cidade Nova).
Enquanto efetuavam a abordagem, ainda de acordo com a PM, os agentes foram atacados a tiros por criminosos posicionados no alto da comunidade, o que demandou reforço policial. O patrulhamento permanece intensificado na região.
A plataforma digital Onde Tem Tiroteio (OTT) publicou um informe às 18h com registro de tiroteio no Rio Comprido. Moradores demonstraram preocupação com os novos disparos: “Pau quebrando”, afirmou um.
Pela manhã, momentos de pânico já haviam tomado conta da região em meio à operação, nos morros não só dos Prazeres, mas também de Fallet, Fogueteiro, Coroa, Escondidinho e Paula Ramos, que reuniu mais de 150 PMs, dentre eles, integrantes do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope). O objetivo foi combater roubos de veículos e o tráfico de drogas.
A tensão aumentou após a morte de Jiló dos Prazeres, de 55 anos, uma das principais e mais antigas lideranças do Comando Vermelho no Rio, com mais de 135 passagens pela polícia. Segundo a PM, o criminoso chegou a ser socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal Souza Aguiar, mas não resistiu aos ferimentos.
Além dele, ainda segundo a PM, morreram seis suspeitos que invadiram a casa de um morador e o mataram, enquanto agentes tentavam uma negociação. A companheira da vítima, porém, rebateu a versão, afirmando que os policiais foram os responsáveis pelo homicídio.
Um vídeo que circula nas redes sociais mostra como ficou a casa de Leandro Silva Souza. A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) investiga o caso.
Ainda durante a operação, policiais detiveram quatro pessoas que tentavam bloquear vias da região. No local, sete ônibus tiveram as chaves retiradas e acabaram usados como barricadas. Um deles foi incendiado na Avenida Paulo de Frontin, no acesso ao Túnel Rebouças. Devido à violência, comércios fecharam as portas.
Saiba mais sobre Jiló
O criminoso é um dos envolvidos na morte do turista italiano Roberto Bardella, de 52 anos, em dezembro de 2016, no Morro dos Prazeres. Na ocasião, a vítima e o primo Rino Polato, de 59 anos, estavam em duas motocicletas e entraram na comunidade por engano.
Bardella tinha uma empresa de administração condominial com a mulher. Os dois amigos viajavam em motos pela América do Sul e já tinham passado pelo Paraguai e Argentina, além de Curitiba e Foz do Iguaçu, onde visitaram as Cataratas.
O turista foi baleado na cabeça e no braço e morreu na hora. O primo foi pego pelos bandidos, que o forçaram a entrar em um carro, enquanto o corpo de Bardella ficava no porta-malas. O veículo circulou pela favela durante cerca de duas horas, até vir a ordem do chefe do tráfico para liberá-lo. Rino acabou sendo deixado, junto com o corpo, em uma praça no bairro vizinho a Santa Teresa.
Na época do crime, "Jiló" tinha sido solto havia apenas 30 dias. Ele foi preso nos anos 1990, recebeu progressão de pena, mas não a cumpriu, sendo novamente detido em 2012.
Contra o criminoso, constavam cerca de 10 mandados de prisão em aberto.
Na época do crime, "Jiló" tinha sido solto havia apenas 30 dias. Ele foi preso nos anos 1990, recebeu progressão de pena, mas não a cumpriu, sendo novamente detido em 2012.
Contra o criminoso, constavam cerca de 10 mandados de prisão em aberto.
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