Dinheiro apreendido em sala empresarial em Xerém, na Baixada, durante a Operação Anáfora IIDivulgação/Polícia Federal

Rio - A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (30), a segunda fase da Operação Anáfora, que visa o combate da lavagem de dinheiro proveniente do desvio de recursos públicos, especialmente os destinados à área da saúde. Os agentes cumpriram mandados de busca e apreensão na cidade do Rio, além de Niterói, na Região Metropolitana, e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Os endereços estão ligados a pessoas próximas ao ex-prefeito de Duque de Caxias e presidente estadual do MDB no Rio de Janeiro, Washington Reis, e a sua irmã, Jane Reis, candidata a vice-governadora do Rio na chapa do prefeito Eduardo Paes. Reis foi um dos alvos da primeira fase da operação, deflagrada em 2022. Ao todo, os policiais federais realizam ações em 14 endereços, sendo 10 expedidos pela 6ª Vara Federal Criminal e outros quatro pelo TRF2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).
Durante a ação, R$ 450 mil em espécie acabaram sendo apreendidos em uma das salas da empresa vinculada a um dos investigados em Xerém, em Duque de Caxias. O dinheiro foi encontrado escondido embaixo de um sofá.
A investigação da lavagem de dinheiro foi aprofundada após a primeira fase da operação, em 2022. De acordo com os agentes, foi apurado que investigados mantinham bens próprios em nome de terceiros, realizavam despesas incompatíveis com a própria condição financeira e participavam de negociações vinculadas a imóveis.

Os investigados poderão responder, na medida de suas responsabilidades, pelos crimes de organização criminosa, fraude à licitação e lavagem de dinheiro, sem prejuízo de outros delitos que venham a surgir no decorrer das investigações.
Primeira fase da operação

Em setembro de 2022, a primeira fase da operação cumpriu 27 mandados de busca e apreensão em Caxias (três), Maricá (um), Angra dos Reis (dois), Mesquita (um), Niterói (um), Nova Iguaçu (um) e capital fluminense (18).
A ação investigou um possível favorecimento na contratação de uma cooperativa de trabalho pelo município de Caxias. Os valores dos contratos e aditivos nos serviços prestados poderiam chegar a R$ 500 milhões durante mais de dois anos.
Os suspeitos seriam pessoas físicas e jurídicas que ocupam diferentes funções na hierarquia da organização criminosa, incluindo empresários, operadores financeiros e prováveis líderes do esquema criminoso. De acordo com a corporação, a cooperativa "pertence à estruturada e complexa organização criminosa que vem operando no Estado do Rio de Janeiro em um contexto de corrupção sistêmica, por meio de desvio de recursos públicos, em especial na área da saúde, há décadas."

Entre os alvos estavam o ex-prefeito de Caxias, Washington Reis, e o empresário Mário Peixoto. Na época, o político era candidato a vice-governador do estado do Rio na chapa de Cláudio Castro. Ele foi substituído por Thiago Pampolha. Castro se elegeu no mês seguinte deste mesmo ano.
Peixoto, por sua vez, já havia sido preso na Operação Favorito, um desdobramento da Lava Jato. Ele foi acusado de ter obtido facilidades em contratos com o governo e entidades a ele vinculadas; de ter feito pagamentos indevidos a diversos agentes públicos e de constituir, com outras pessoas investigadas, uma complexa rede de empresas com o propósito de ocultar recursos obtidos de maneira ilícita. A justiça chegou a conceder um habeas corpus para o empresário, posteriormente cassado pelo Superior tribunal de Justiça (STJ).
O que diz Washington Reis
O presidente do MDB no Rio de Janeiro, Washington Reis, disse por meio de nota que não foi alvo da segunda fase da Operação Anáfora, e que as empresas citadas e alvo da operação não são de sua propriedade, tampouco possui qualquer participação societária nelas.
Reafirmou ainda que sempre colaborou com as investigações e destacou que nada foi encontrado que desabone sua conduta. O presidente do MDB também afirma ser o maior interessado na continuidade das investigações conduzidas pela Polícia Federal, para que os responsáveis por eventuais crimes sejam identificados e responsabilizados na forma da lei.
"A candidata a vice-governadora do Estado do Rio de Janeiro, Jane Reis, não é citada na investigação e permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos que se façam necessários. Jane Reis foi convidada para compor a chapa encabeçada pelo ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, em razão de sua trajetória e reputação ilibadas como advogada e empresária", diz um trecho da nota