Kathlen Romeu tinha 24 anos e estava grávida de 4 meses quando morreuReprodução/Redes Sociais

Rio - A Justiça do Rio marcou para o dia 26 de novembro o julgamento dos policiais militares Rodrigo Correia de Frias e Marcos Felipe da Silva Salviano, réus pela morte da modelo Kathlen Romeu, ocorrida em junho de 2021, em Lins de Vasconcelos, na Zona Norte.
A vítima, de 24 anos, estava grávida de quatro meses quando foi baleada no tórax durante uma ação de agentes da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) do Complexo do Lins. Ela chegou a ser socorrida, sendo levada ao Hospital Salgado Filho, no Méier, mas não resistiu ao ferimento.
Marcos e Rodrigo são acusados de efetuar os disparos. Os PMs realizavam patrulhamento de rotina na região onde a mulher passava com a avó. Eles alegaram que houve troca de tiros com traficantes.
Em março de 2025, a juíza Elizabeth Machado Louro, titular da 2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ), determinou que os policiais fossem a júri popular. Desde então, o julgamento não tinha data.
Ao DIA, Jacklline Oliveira, de 45 anos, mãe de Kathlen, revelou a expectativa para a sessão. Segundo ela, os jurados devem fazer justiça, o que ela chama de "reparo social".  
"Espero que não compactuem com essa barbárie. A sociedade costuma se comover pela vida do assassino, mas esquece da dor da covardia que nós familiares e amigos levaremos para toda vida! O Estado legitimou que esses assassinos fardados apertassem esse gatilho, pois pra eles preto, pobre e favelado, são corpos matáveis. Nós, que lutamos pelo direito à vida independente de cor, classe social e CEP, seguiremos juntos, cobrando por memória, verdade, reparação e justiça por minha filha e meu neto. Se minha filha ou qualquer um de nós tivéssemos apertado esse gatilho, já seriam cinco anos e dois meses encarcerados. São cinco anos de espera e finalmente sentaremos esses covardes no banco dos réus e esperamos que sejam condenados, expulsos e presos!", contou.
Condenação por fraude
Em março desse ano, Rodrigo, Marcos e o PM Rafael Chaves de Oliveira foram condenados a dois anos e 15 dias, em regime aberto, pelo crime de fraude processual. As investigações constataram que o trio alterou a cena do crime antes da chegada da perícia ao local.
A decisão dos desembargadores da 6ª Câmara Criminal do TJRJ acolheu um recurso do Ministério Público do Rio (MPRJ) contra a absolvição dos acusados pela Auditoria da Justiça Militar, que ocorreu em julgamento realizado em agosto de 2025.
A denúncia do MPRJ indicou que Rafael removeu os cartuchos de munições apresentados por Rodrigo, com anuência de Marcos, na delegacia onde a ocorrência foi registrada. Os três tiveram o intuito de alegar que Kathlen morreu baleada durante um confronto entre os policiais e criminosos. O desembargador Marcelo Anátocles, no entanto, destacou que não há indicativos de um tiroteio no local.