Cláudio Rafael Landeiro Moreira recebeu mais de 50 pauladas Reprodução / Câmeras de Segurança
No caso de Felipe, a audiência foi conduzida pela juíza Laura Noal Garcia. A magistrada considerou que o mandado de prisão foi regularmente expedido, permanecia válido e não havia sido revogado pelo juízo responsável pela investigação. Com isso, determinou a comunicação da prisão à 1ª Vara Criminal da Capital.
Ailton passou por audiência com o juiz Rafael de Almeida Rezende. Segundo a decisão, a prisão temporária foi decretada por 30 dias e o mandado também estava dentro do prazo de validade. O magistrado determinou que o cumprimento da prisão fosse comunicado ao juízo natural do caso.
As duas decisões não analisaram o mérito das acusações, mas a regularidade do cumprimento dos mandados. Eventuais pedidos das defesas deverão ser apresentados ao juízo responsável pelo processo.
Com as decisões deste domingo, os quatro investigados seguem presos. Os seguranças Davi Santos Machado e Jorge Luiz Ricardo Dias tiveram as prisões mantidas pela Justiça no sábado (22).
Entregador admitiu participação nas agressões
A investigação da 12ª DP (Copacabana) aponta que Cláudio foi abordado na madrugada de 11 de agosto, depois que Davi teria suspeitado que a bicicleta utilizada pela vítima fosse roubada. O veículo, porém, pertencia a uma irmã de Cláudio.
Segundo o depoimento de Felipe, ele estava trabalhando como entregador de aplicativo quando outro entregador informou que um segurança estaria perseguindo um suposto ladrão de bicicletas. Felipe afirmou que seguiu até o local acompanhado de outro entregador.
Ainda segundo o relato, Davi teria apontado Cláudio como o homem que havia roubado a bicicleta. O entregador contou que a vítima estava sentada na entrada de um prédio e não respondia às perguntas feitas por ele e pelo outro rapaz.
Felipe admitiu que segurou Cláudio quando ele tentou fugir e, depois que a vítima caiu, deu quatro chutes nas costas. Ele afirmou, no entanto, que não teve intenção de matar o ciclista.
O entregador também disse que percebeu que a situação havia saído do controle quando Davi passou a atingir Cláudio com um pedaço de madeira, principalmente na cabeça. Felipe afirmou que deixou o local porque ficou com medo de que o segurança matasse a vítima.
O depoimento também revelou que Felipe gravou um vídeo antes do início das agressões. Na gravação, segundo ele, aparece Cláudio sentado e é possível ouvir o próprio entregador e outro homem questionando a vítima. Na sequência, Davi aparece confirmando que aquele seria o suposto ladrão.
Ailton ficou em silêncio
Ailton José da Silva, apontado pela investigação como um dos entregadores envolvidos no espancamento, decidiu permanecer em silêncio durante o depoimento. Na audiência de custódia deste domingo, ele informou não ter sofrido agressões durante a prisão.
Ailton é investigado por homicídio e teve a prisão temporária de 30 dias mantida pela Justiça.
Ciclista recebeu ao menos 57 golpes
Imagens de câmeras de segurança analisadas pela Polícia Civil registraram parte do ataque. Segundo a investigação, Cláudio recebeu ao menos 57 golpes com pedaços de madeira, além de socos e chutes. As agressões continuaram mesmo depois de ele cair no chão.
Cláudio foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e levado ao Hospital Municipal Miguel Couto, mas morreu em consequência dos ferimentos.
Os depoimentos dos envolvidos apresentaram versões diferentes sobre a dinâmica do crime. Davi admitiu ter participado das agressões. Jorge afirmou ter visto Davi e os dois entregadores atacando Cláudio, mas negou ter agredido diretamente a vítima.
A Polícia Civil continua investigando a participação individual de cada suspeito e tenta esclarecer quem iniciou as agressões, quem chamou os entregadores e quem desferiu os golpes que atingiram a cabeça de Cláudio.
Os quatro investigados são apurados por homicídio triplamente qualificado, considerando as circunstâncias apontadas pela investigação, como motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Defesas
Por meio de nota, a defesa de Aílton José informou que pedirá acesso à decisão que decretou a prisão temporária dele e pedir a revogação ao juíz natural do processo.


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