Wellington Abreu avalia quadro geral e diz que prefeita de São João da Barra está atenta ao desdobramento Foto Divulgação

São João da Barra/Região – A pauta petróleo tem sido constante entre municípios atrelados à Bacia de Campos, no interior do estado do Rio de Janeiro, a maior e principal bacia petrolífera do Brasil, responsável por 80% das reservas totais de petróleo do país. O foco principal é o impacto causado pelos eventos negativos envolvendo plataformas importantes e a queda do preço do petróleo Brent no mercado internacional.
Especialistas constatam um cenário de incerteza econômica em nível nacional. Porém, no caso específico do interior fluminense, há uma preocupação mais acentuada, relatada já há algum tempo pela Organização dos Municípios Produtores de Petróleo (Ompetro) e acentuada nos últimos dias, por conta de corriqueiros incidentes na região de produção.
A interdição da plataforma P-53, ocorrida no dia 17 de abril, é um dos principais fatores. Foi adotada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), após auditoria realizada entre os dias 8 e 17 de abril. Presidente da Ompetro, o prefeito de Campos dos Goytacazes, Wladimir Garotinho, avalia que a medida pode trazer impactos significativos na arrecadação de royalties para algumas cidades.
O prefeito diz que a organização está atenta ao desdobramento do panorama na Bacia de Campos. Ele sugeriu ao secretário executivo da instituição, Marcelo Neves, que também é titular da Secretaria Municipal de Petróleo, Energia e Inovação, um estudo sobre os impactos financeiros que as intercorrências podem causar nas economias dos municípios membros.
Em matéria recente divulgada por O Dia, Neves adianta que o campo Marlim Leste, onde está localizada a P-53, é um dos grandes ativos de produção da Bacia de Campos: “Possíveis perdas nos valores de royalties para os 11 municípios integrantes da Ompetro são evidente; os estudos que a organização realiza irão nortear os novos e decisivos posicionamentos dos respectivos prefeitos”.
O diretor de Indicadores Econômicos de Campos, economista Ranulfo Vidigal, realça que além das questões domésticas envolvendo diretamente a bacia, há a influência internacional, gerada pelas novas tarifas de importação implementadas pelos Estados Unidos (EUA), que atingiram potencialmente o mercado petrolífero, reduzindo os preços do barril para US$ 62,82 no início de abril: “A preocupação geral é pertinente”, admite.
“A prefeita Carla Caputi acompanha atentamente todo o cenário com sua equipe técnica. Ela tomará medidas, caso necessárias, para que não essa situação não venha atrapalhar o funcionamento da máquina pública e não gere nenhuma interrupção os serviços essências a municipalidade”, revela o superintendente de Petróleo, Gás e Tecnologia de São João da Barra, Wellington Abreu da Silva.
“SINAL AMARELO” - Inspirado no atual momento, o sanjoanense analisa que a conjuntura econômica global, particularmente no setor de energia, apresenta sinais de alerta que demandam atenção redobrada dos municípios produtores de petróleo. No entanto, ele ressalva que não há motivo para desespero: “É preciso, sim, ficar atento, acompanhar o desdobramento e controlar ainda mais os gastos”.
Wellington comenta que a consequente queda do preço do petróleo Brent no mercado internacional, exacerbada por questões domésticas que impactaram negativamente a taxa de câmbio, resultou em uma retração vertical nos repasses de royalties para os municípios produtores: “A projeção para os meses de maio e junho indica a continuidade dessa tendência de queda, influenciada pelas novas tarifas de importação implementadas pelos Estados Unidos”.
Ratificando informação de Ranulfo Vidigal, o superintendente aponta que a decisão dos EUA atingiu severamente o mercado petrolífero e derrubou os preços para US$ 62,82 no início de abril; observa que, embora o mercado pareça ter absorvido inicialmente esse choque, com uma leve recuperação para patamares acima de US$ 65, a volatilidade e a incerteza persistem.
“Diante desse cenário, a recomendação de cautela nos gastos de custeio financiados por royalties e a manutenção de uma reserva de contingência robusta tornam-se imperativos”, sugere Wellington acentuando: “Essas diretrizes, consistentemente reforçadas em análises anteriores, ganham ainda mais relevância no momento atual. O ‘sinal amarelo’ foi acionado e exige um ajuste imediato das contas públicas municipais”.
SUGESTÃO CRUCIAL - Na opinião do superintendente, caso o preço do petróleo Brent venha a se sustentar e oscilar na marca atual US$ 66, ajustes podem resolver: “Mas havendo uma baixa a marca de US$ 60, medidas de corte e austeridade fiscal serão inevitáveis para garantir o equilíbrio financeiro”.
Quanto aos recentes incidentes nas plataformas P-53 e PCH-1, Wellington avalia: “A P-53, operando no campo de Marlim Leste, apresentou uma produção média de 60 mil barris nos últimos doze meses. Uma eventual paralisação, embora impacte pontualmente os municípios confrontantes de Campos, Macaé e Rio das Ostras, e de forma menos expressiva Carapebus e Casimiro de Abreu, não representa o principal fator de risco no contexto atual”.
No caso da PCH-1, Wellington lembra que já se encontrava inoperante e sem produção desde 2020, atuando como estação de rebombeio de um volume reduzido de gás no polo de Garoupa: “A perspectiva de retorno à operação, sob a futura gestão da petroleira britânica Perenco, após a conclusão do processo de venda pela Petrobras, demandará tempo para a restauração da integridade e da capacidade produtiva dos campos de Cherne, Corvina e Garoupa, todos inativos desde abril de 2020, quando a plataforma operava desde 1984”.
Por fim, o superintendente enfatiza que a verdadeira fonte de apreensão reside na trajetória do preço do petróleo Brent no mercado internacional: “O acompanhamento nas próximas semanas se mostra crucial. A disrupção comercial impulsionada pelo governo americano introduziu uma significativa turbulência, com potencial para estabelecer um novo patamar médio de preços para o ano de 2025. Nesse contexto de incerteza, a adoção de medidas severas pode se tornar necessária”.