Para Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, Sergio Moro agiu com parcialidade no caso de Lula
Para Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, Sergio Moro agiu com parcialidade no caso de LulaMarcelo Camargo/Agência Brasil
Por Maria Clara Matturo*
Rio - A decisão sobre a suspeição do ex-juiz Sérgio Moro foi adiada, nesta terça-feira, após o pedido de vista do ministro Nunes Marques. Durante a sessão da segunda turma do Supremo Tribunal Federal (STF), foi  discutida a atuação de Moro ao condenar Lula no caso do tríplex do Guarujá. Na prática, os ministros estão decidindo se o ex-juiz agiu de forma parcial ao condenar o ex-presidente na Operação Lava Jato. Os outros quatro ministros que compõe a turma já votaram e o resultado ficou empatado em 2 a 2, tornando o voto de Nunes Marques decisivo para conclusão do processo. 
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Veja como votaram os ministros
Apesar de terem votado contra a suspeição de Sérgio Moro, em dezembro de 2018, Carmen Lúcia e Edson Fachin informaram que vão fazer uma nova manifestação de voto. A expectativa é que aconteça uma mudança no placar e que a ministra mude o posicionamento inicial. Até o final do julgamento, qualquer ministro pode expressar uma mudança de opinião. 
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O ministro Gilmar Mendes, por sua vez, se declarou a favor da suspeição do ex-juiz e também deu um parecer favorável em relação à suspensão de todas as condenações de Lula. Ele classificou a condução do julgamento do ex-presidente como uma "violência inominável e acrescentou: "Nem animais para o matadouro se leva da forma como se levou um ex-presidente E só não se foi embarcado em um pequeno avião em direção à Curitiba porque outras forças intervieram. A história revelará quais foram as outras forças. Mas só sabemos o que se passou".
Além de defender que uma nova investigação pode ser instaurada, Gilmar Mendes determinou que o ex-juiz Sergio Moro pague uma multa de pelo R$ 200 mil pela sua condução do caso do triplex do Guarujá.
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Ao votar a favor da suspeição, o ministro Ricardo Lewandowski disse que o ex-presidente Lula não foi submetido a um julgamento justo, mas a um "verdadeiro simulacro de ação penal, cuja nulidade salta aos olhos". Ele afirmou, ainda, ter preparado um voto de 80 páginas, que no entanto não foi lido integralmente na sessão. "Por razões mais do que espúrias, porque todos os desdobramentos do processo levam ao desenlace de que o ex-juiz extrapolou os limites ao assumir papel de coordenador dos órgãos de investigação e acusação", afirmou Lewandowski.
O ministro também disse que Moro admitiu, no depoimento para a PF, que as mensagens da Operação Spoofing foram, de fato, subtraídas de seu aparelho celular. A declaração, segundo Lewandowski, comprova que o ex-juiz teve má conduta ao trocar informações com procuradores da Lava Jato.
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*Estagiária sob supervisão de Thiago Antunes
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