Modelo segue o exemplo da lei aprovada na União Europeia, pioneira na regulação da IA no mundoReprodução
Senado aprova urgência para PL que regulamenta inteligência artificial no Brasil
Votação do mérito está marcada para a próxima terça-feira, 10
O Senado Federal aprovou nesta quinta-feira, 5, o requerimento de urgência ao projeto de lei que regulamenta a inteligência artificial no Brasil, de autoria do presidente do Congresso, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A votação do mérito está marcada para a próxima terça-feira, 10.
Como mostraram o Estadão e o Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado), a matéria trata das diretrizes para a regulação do desenvolvimento da tecnologia no País, contendo regras para como as IAs devem ser regidas, quais dados elas podem usar e o que podem ser considerados sistemas de IA no Brasil.
O modelo segue o exemplo da lei aprovada na União Europeia, pioneira na regulação da IA no mundo.
O projeto é discutido desde o final de 2022 e teve seu prazo de redação de texto prorrogado algumas vezes neste ano pela Comissão Temporária Interna sobre Inteligência Artificial (CTIA), responsável pelas audiências públicas opinativas e pela construção do texto da possível lei.
O texto aborda temas como princípios éticos para IA, a criação de uma Política Nacional de Inteligência Artificial, a regulação do uso de IA em áreas como publicidade, além de mecanismos de governança e responsabilização.
Um dos principais pontos do Marco da IA é a classificação de risco dos produtos construídos com a tecnologia, com uma seção destinada ao chamado "risco excessivo", na qual se enquadram, por exemplo, deepfakes que podem manipular o sistema eleitoral e conteúdos de exploração sexual infantil.
O documento também categoriza as IAs de "alto risco", que podem ter impacto nos direitos fundamentais dos indivíduos. "Não se considera uso de alto risco aquele no qual o sistema de IA é utilizado como tecnologia intermediária que não influencie ou determine resultado ou decisão ou quando desempenha uma tarefa processual restrita", diz o texto.
Pelo projeto, caberá ao Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA) regulamentar a classificação da lista dos sistemas de IA de alto risco, bem como identificar novas hipóteses de aplicação de alto risco. O SIA também ficará encarregado pela supervisão e fiscalização das tecnologias.
O texto também traz uma seção sobre direitos autorais. De acordo com a matéria, os desenvolvedores de IA que usarem conteúdos protegidos por direitos autorais devem publicar, em um site acessível, pontos explicando quais conteúdos foram utilizados no desenvolvimento, respeitando segredos comerciais e industriais, conforme regulamento específico.
As regras, se aprovadas, serão válidas para IAs desenvolvidas por empresas, com fins comerciais, por exemplo.
A regulação não se aplica, porém, ao desenvolvimento da tecnologia em alguns setores, como defesa nacional e pesquisa e desenvolvimento e IAs criadas para uso pessoal e não econômico.
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