Ex-presidente Jair Bolsonaro foi denunciado pela PGR por tentativa de golpeEvaristo Sá/AFP

Muitos políticos brasileiros reagiram à denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro e um grupo de aliados por tentativa de golpe de Estado em 2022.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), saiu em defesa do ex-mandatário. No X, o gestor estadual disse que seu padrinho político "jamais compactuou" com qualquer tentativa de golpe.

"Jair Bolsonaro é a principal liderança política do Brasil. Este é um fato. Jair Bolsonaro jamais compactuou com qualquer movimento que visasse a desconstrução do estado democrático de direito. Este é outro fato. Estamos juntos, presidente", escreveu Tarcísio.
A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), afirmou que a denúncia é um marco na defesa da democracia.
"A denúncia contra Bolsonaro, Braga Netto e outros golpistas é um marco na defesa da democracia. As provas são incontestáveis. Que a justiça seja feita de forma implacável para que nunca mais ameacem o Brasil!".
O senador Carlos Portinho (PL-RJ), líder do Partido Liberal no Senado, citou que a denúncia se trata de "um golpe que não houve". O político também apontou que o presidente Lula assistiu "tudo pela janela".
"Sem surpresas. Papel cabe tudo. Um golpe que não houve. Uma revolta popular sem liderança e por pessoas desarmadas. Um ex-presidente Jair Bolsonaro ausente do país depois de nomear ele próprio os chefes das forças previamente escolhidos pelo seu sucessor. Militares que prenderam manifestantes e não se envolveram em golpe algum. E um presidente empossado, Lula, que permitiu uma baderna omitindo-se e a tudo, assistindo da janela", escreveu.
Também senador pela sigla, o filho do presidente o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), disse se tratar de uma 'denúncia vazia'. O político ainda fez críticas a Alexandre de Moraes, que segundo ele, já havia "esculachado o Ministério Público Federal".
"Mesmo depois de Alexandre de Moraes ter esculachado o Ministério Público Federal na fabricação dos inquéritos e torturado Mauro Cid para 'delatar' o que não existiu, o PGR se rebaixa. Cumpre sua missão inconstitucional e imoral de atender ao fígado de Alexandre de Moraes e ao interesse nefasto de Lula, que está nos seus últimos meses de presidência. Hoje tem comemoração dos destruidores da democracia em Brasília. Não vamos desistir do Brasil!".
O senador e ex-ministro da Casa Civil Ciro Nogueira (PP-PI) reagiu ao ocorrido com uma frase simples repetida três vezes, alegando que Bolsonaro é inocente.
"Bolsonaro é um homem honesto, de bem e inocente. Bolsonaro é um homem honesto, de bem e inocente. Bolsonaro é um homem honesto, de bem e inocente", escreveu.
Já o senador Humberto Costa (PT-PE), citou a necessidade de que os envolvidos paguem pelo que fizeram, já que agiram contra os interesses da "vontade popular", além do cometimento de outros crimes.
"Fizeram de tudo pra ganhar a eleição, espalharam mentiras e ainda assim perderam. Tramaram dia e noite o fim da democracia, colocaram os seus interesses acima da vontade popular, depredaram o nosso patrimônio e alma do nosso país. Eles precisam pagar pelos seus crimes".
O líder do governo na Câmara dos Deputados, José Guimarães (PT-CE), abordou o tema durante a celebração de seu aniversário em uma festa nesta terça-feira (18).

Antes de soprar a vela do bolo, Guimarães fez um discurso no microfone e citou a denúncia com entusiasmo. "Que essa noite nos dê cada vez mais força e energia", afirmou o líder diante dos convidados. "A PGR denunciar o Bolsonaro foi o melhor presente que eu recebi de aniversário", comemorou. 
Denúncia contra Bolsonaro
A denúncia da PGR se baseia na conclusão da Polícia Federal, que identificou seis núcleos de atuação responsáveis por desinformação, articulação militar, apoio logístico e planejamento jurídico para invalidar o resultado das eleições e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.
Além de Bolsonaro, outros nomes de alto escalão, como ex-ministros, militares e parlamentares, foram denunciados ao Supremo Tribunal Federal (STF). Caso a denúncia seja aceita, todos se tornarão réus e responderão a processo penal
Pelo regimento interno da Corte, cabe às duas turmas do Tribunal julgar ações penais. Como o relator faz parte da Primeira Turma, a acusação será julgada pelo colegiado.

A data do julgamento ainda não foi definida. Considerando os trâmites legais, o caso pode ser julgado ainda neste primeiro semestre de 2025.