Dois presos fugiram da Cadeia Pública de Mossoró, no Rio Grande do Norte, na tarde de terça-feira (24). Segundo a Secretaria de Administração Penitenciária, buscas estão sendo realizadas na região desde a descoberta e seguem na manhã desta quarta-feira (25).
Os homens foram identificados pela Polícia Penal como Joab Frazão de Lima, de 32 anos, e Wellington Silva Pereira, de 26 anos.
Até o momento, a Seap não informou como ocorreu a fuga, mas a suspeita é de que os presos tenham escalado a muralha da unidade prisional após a visita de familiares.
"As forças de segurança foram acionadas e se encontram em diligências na tentativa de capturar os fugitivos", disse a pasta.
O presídio de onde os presos fugiram é administrado pelo estado. Em 2024, dois presos fugiram da Penitenciária Federal de Mossoró, na primeira fuga registrada na história do sistema penitenciário federal.
Fuga
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento escaparam do presídio em 14 de fevereiro. Os dois deixaram o local de segurança máxima por volta das 3h da madrugada, quando teriam escalado até o teto através de uma lâmpada e, em seguida, cortado uma cerca. Ambos são envolvidos em guerras de facções criminosas ligadas ao tráfico de drogas no Acre e têm ligação com o Comando Vermelho, uma das principais quadrilhas do gênero no país. Foi a primeira fuga do sistema penitenciário federal, criado em 2006.
No dia seguinte à fuga, foram encontrados pegadas e objetos que pertenceriam à dupla e foram usados para traçar o caminho que eles já teriam percorrido. De acordo com o 2º Batalhão da Polícia Militar (2 BPM), foram localizadas duas camisas, uma rede e rastros de sapatilhas semelhantes as usadas pelos internos no presídio federal. O rastro foi encontrado nos arredores da Serra de Mossoró, que fica próxima ao Rancho da Caça, localidade onde uma casa foi furtada na manhã da véspera.
Durante o período em que estiveram foragidos, Deibson e Rogério teriam contado com a ajuda de pessoas já do lado de fora do presídio. Pelo menos cinco foram presos. O último a ser detido foi o mecânico Ronaildo Fernandes, que teria recebido R$ 5 mil em sua conta para repassar aos fugitivos.
Fernandes é dono da propriedade em Baraúna, na divisa entre Rio Grande do Norte e Ceará, onde a dupla ficou escondida por oito dias. No local, os dois se refugiaram em uma cabana montada no meio da roça e cavaram buracos para escapar da vista de drones e helicópteros, que sobrevoam a região, que fica a cerca de 30 quilômetros do presídio. O mecânico foi preso preventivamente sob suspeita de ter colaborado com os presos. Ele alega inocência, dizendo que foi coagido a prestar o auxílio.
A Polícia Federal já havia prendido outros seis suspeitos de ajudar os dois fugitivos do presídio federal de Mossoró. Um deles é o irmão de Deibson Nascimento. Preso no Acre, Johnney Weyd Nascimento foi condenado por roubo e participação em organização criminosa e tinha um mandado de prisão em aberto.
Rogério da Silva Mendonça e Deibson Cabral Nascimento ainda fizeram uma família refém, pediram comida, queriam ver notícias sobre a fuga e roubaram celulares. A dupla ficou no local por cerca de quatro horas, não pediu dinheiro e fugiu a pé. As informações foram reveladas pelo jornal "Folha de S.Paulo" e confirmadas pelo Estadão.
Disfarces
A PF chegou a divulgar projeções que mostram possíveis disfarces usados pelos criminosos. A corporação trabalhou com essa nova possibilidade visual e são projeções de crescimento de cabelo, barba e uso de disfarces, as quais foram elaboradas por papiloscopistas do setor de Representação Facial Humana do Instituto Nacional de Identificação (INI) da Polícia Federal, em Brasília", disse o órgão na ocasião.
Conhecido como "Deisinho" ou "Tatu", Deibson Cabral Nascimento, de 33 anos, é considerado um criminoso da "primeira leva" de batismos (quando um criminoso é aceito como membro da facção) do Comando Vermelho no Acre, no fim de 2013. Ele soma penas de mais de 60 anos, com acusações que se acumulam desde a adolescência.
Já Rogério da Silva Mendonça, apelidado de "Cabeça de Martelo" ou "Querubin", de 35 anos, entrou posteriormente na facção criminosa, em processo de expansão do crime organizado pela região Norte. Conforme o Ministério Público do Estado do Acre, as investigações ainda não conseguiram precisar quando ele ingressou no CV, mas o criminoso passou a ter papel importante dentro da prisão. Suas penas somam mais de 70 anos.
Diversas forças policiais foram mobilizadas para encontrar a dupla. A operação chegou a contar com cerca de 500 agentes da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Penal Federal, Força Nacional, Corpo de Bombeiros, além de policiais militares dos Estados de Rio Grande do Norte, Ceará, Piauí, Paraíba e Goiás, se revezando em turnos de dia e noite. Eles foram recapturados no dia 4 de abril.
Inquérito apontou falha de procedimento
A Corregedoria-Geral da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, concluiu relatório sobre a responsabilidade de servidores da Penitenciária Federal de Mossoró (RN) na fuga.
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