Sessão na Câmara foi marcada por tensão entre parlamentaresBruno Spada / Câmara dos Deputados

A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (17) o regime de urgência para o projeto de anistia aos envolvidos nos atos de 8 de Janeiro. A proposta, de autoria do deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), recebeu 311 votos favoráveis e 163 contrários. O resultado abriu uma nova frente de disputas no Congresso, ampliando o embate entre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a base governista, que é minoria.

Entre os deputados de esquerda, a aprovação foi duramente criticada, com acusações de tentativa de impunidade e de desrespeito às instituições democráticas.
A parlamentar Sâmia Bonfim (PSOL-SP) afirmou: "Fizeram um motim no Congresso, atacaram o STF, e agora querem anistia para garantir impunidade ao líder da sua organização criminosa. O Brasil dará uma resposta: SEM ANISTIA!".
Na mesma linha, Tabata Amaral (PSB-SP) avaliou que houve um jogo político com o Centrão: "O bolsonarismo deu a PEC da Blindagem de presente pro Centrão. Agora o Centrão retribui o favor com o PL da Anistia. É um escárnio com o povo brasileiro".
O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) também reagiu, chamando o resultado de vergonhoso: "VERGONHA PARA O CONGRESSO: acaba de ser aprovada a urgência da Anistia na Câmara. Os advogados de golpistas dobraram a aposta. Aguardem a resposta dos brasileiros".

Já a petista Benedita da Silva (PT-RJ) responsabilizou a presidência da Casa pela pauta: "O presidente da Câmara, Hugo Motta, acaba de pautar o pedido de urgência para votar a anistia e, com isso, livrar da cadeia todos aqueles que em 8 de janeiro de 2023 tentaram dar um golpe em nosso país".
Na mesma toada, Duda Salabert (PDT-MG) considerou que a decisão afronta a Constituição: "Hoje, rasgaram a Constituição para aprovar a urgência do PL da Anistia. Enquanto o STF deu uma resposta exemplar, deputados decidiram premiar criminosos. Bolsonaro e sua quadrilha não merecem perdão, merecem o lixo da história. A ANISTIA NÃO VAI PASSAR!".

Lindbergh Farias (PT-RJ) chamou a aprovação de rendição aos golpistas: "Câmara pauta votação da urgência de projeto de anistia de Bolsonaro e dos generais golpistas. É uma rendição a uma turma que não quer pacificação do país. Eles disseram: nos entregam anistia ou não haverá paz no Brasil. O momento nos exige coragem em defesa da democracia e não covardia diante dos chantagistas e golpistas!".
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) reforçou as críticas e fez um paralelo com outra votação recente: "Em mais uma noite de derrota para o nosso país, o Requerimento de Urgência do projeto da anistia pro condenado Jair Bolsonaro foi aprovado na Câmara. Hoje, avançaram na anistia para golpistas. Ontem, aprovaram a PEC da bandidagem, uma autoanistia prévia para deputados corruptos".
Oposição comemora

Do outro lado, parlamentares da direita comemoraram o placar e defenderam a aprovação como um passo em direção à Justiça que, segundo eles, foi pedida pelo povo.
"VENCEMOS! A urgência da Anistia foi aprovada com 311 votos SIM. Mas esse placar não nasceu no Congresso. Ele veio das ruas, dos grupos, das redes. Ele veio de você!", disse o deputado federal Deltan Dallagnol (PODE-PR), ex-procurador da República.
O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse que a votação comprova a estratégia do grupo: "E pensar que tempos atrás alguns zombaram e fizeram chacota da nossa decisão: recuar a ocupação para termos mais apoio. Hoje, a votação histórica mostra que agir com prudência e firmeza nos faz atingir objetivos que anteriormente eram considerados impossíveis. Ainda há muita luta. Seguiremos. Parabéns, oposição!".
Na mesma linha, Carol de Toni (PL-SC) destacou o impacto da decisão sobre apoiadores do ex-presidente: "URGÊNCIA DA ANISTIA FOI APROVADA! A cada mãe que chorou longe dos filhos…, a cada pai que perdeu noites em claro, sem saber como proteger sua família…, a cada filho que ficou órfão de pais vivos…, a todos os exilados que foram obrigados a deixar o Brasil… a cada brasileiro silenciado, censurado e injustiçado… Esta vitória é de vocês. Seguimos firmes, porque a caminhada não termina aqui. Mas hoje o Brasil pode respirar aliviado: as liberdades começam a ser restauradas".

O catarinense Zé Trovão (PL-SC) celebrou em tom provocativo: "Péssimo dia para ser esquerdista. ANISTIA JÁ".

Mario Frias (PL-SP) tratou o resultado como simbólico: "Isso não é apenas um trâmite legislativo, é a prova de que a voz do povo começa a romper as barreiras impostas por um sistema que tentou calar a todos nós".
Tensão
A sessão que aprovou o regime de urgência foi marcada por clima tenso e troca de provocações no plenário. Enquanto governistas entoavam o coro "sem anistia", bolsonaristas respondiam com "anistia já", reforçando o caráter polarizado da discussão.

Apesar da aprovação, ainda não há definição sobre a redação final do projeto. O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que um relator será designado para construir um texto que alcance "ampla maioria" no Parlamento.
Ele justificou a decisão como um passo em direção à pacificação: "O Brasil precisa andar. Temos na Casa visões distintas e interesses divergentes sobre os acontecimentos de 8 de janeiro de 2023. Cabe ao Plenário, soberano, decidir".