Lula afirmou que a disputa em torno das emendas não deve ser interpretada como conflito institucionalAntonio Cruz / Agência Brasil
"Você só vai acabar com isso quando você mudar as pessoas que governam e que aprovaram isso", afirmou durante a 6ª reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico Social e Sustentável (CDESS), o Conselhão.
Lula ponderou que a disputa em torno das emendas não deve ser interpretada como conflito institucional. "Nós do governo não temos nenhum problema com o Congresso Nacional", afirmou, ao defender que divergências sobre orçamento fazem parte do processo político, mas não comprometem a relação entre os poderes.
O presidente voltou a criticar a lógica de restrições fiscais rígidas e argumentou que países desenvolvidos não operam sob limites como o teto de gastos brasileiro. "Um país que é a oitava economia do mundo não tem direito de ficar criando teto de gasto", disse. Em seguida, comparou com economias avançadas: "Vocês acham que EUA e Alemanha pensam em teto de gastos?"
Lula também reiterou que políticas públicas essenciais, como educação, ciência e tecnologia, não devem ser tratadas como despesas a serem comprimidas. Segundo ele, a revisão de prioridades orçamentárias é condição para sustentar crescimento econômico e expandir investimentos sociais.
"Essa mesma gente que derrubou meu veto, quando a China e a Europa parar de comprar vão vir falar comigo", afirmou Lula, mencionando ainda outros parceiros comerciais como Estados Unidos e Rússia.
Em discurso durante a 6ª reunião CDESS, Lula disse que os congressistas ignoraram alertas internos sobre os riscos comerciais associados ao enfraquecimento das regras ambientais. "Se a bancada do agronegócio ouvisse Eraí Maggi, não teriam derrubado vetos sobre licenciamento ambiental", afirmou, em referência ao empresário que também discursou no evento.
O presidente reforçou que os vetos foram impostos para evitar prejuízos futuros ao setor. "Não vetamos licenciamento porque não gostamos do agro, mas para proteger o agro", disse.
Ele afirmou que medidas que fragilizem a sustentabilidade da produção podem dificultar o acesso aos principais mercados internacionais.
O presidente defendeu que o Brasil avance em práticas sustentáveis para garantir competitividade e lembrou que o País opera com níveis de energia renovável superiores aos de economias desenvolvidas.
"Por que um ministro da Suprema Corte pode ficar três meses viajando e vota pelo celular? Por que um ministro do Superior Tribunal de Justiça vota pelo celular? Por que um juiz de primeira Instância está em casa tomando cerveja e ele vota pelo celular, condenando uma pessoa? Por que um deputado pode ficar três meses fora votando pelo celular e eu tenho que passar o mandato para o Alckmin", questionou.
O presidente disse que isso são coisas que vão incomodando a sociedade e que é preciso dar exemplo e dar seriedade. Lula disse ainda que, se depender dele, o País jamais será governado por quem não acredita na democracia.
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