Investigação aponta que Orelha teria sido agredido por um grupo de adolescentesReprodução / Redes sociais

O deputado estadual Guilherme Cortez (Psol-SP) criticou, nesta quinta-feira (29), uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), na qual ele utiliza o caso do cachorro Orelha para defender a redução da maioridade penal.
"Nunca esperei nada de você, mas fazer palanque político em cima de um cachorro morto se superou. Outro dia uma idosa agradeceu por ter tomado um raio na sua micareta. Vocês estão doentes", escreveu Cortez no X (antigo Twitter). 
A crítica refere-se a um vídeo postado nas redes sociais por Nikolas no dia 28 de janeiro. Na gravação, o parlamentar critica a justiça brasileira, ataca a esquerda e defende a redução da maioridade penal. "No caso mais grave, a internação é de até três anos e não gera antecedentes criminais, e aí sim, depois que ele [adolescente] completa 18 anos, ele pega uma pena real de cadeia. E aí, a gente sabe: aqui no Brasil, mesmo que alguém mate outro, a chance dele cumprir a pena na totalidade é praticamente nula", disse.
"Com 16 anos, hoje no Brasil, você praticamente tem salvo conduto para fazer o que você quiser, destruir a vida de quem você quiser, e não vai acontecer nada, absolutamente nada com você. E aí, de que lado você está?", afirma Nikolas. 
Orelha tinha 10 anos e era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, na capital catarinense. Neste mês, ele foi encontrado gravemente ferido, agonizando, e morreu durante atendimento veterinário que tentava reverter o quadro clínico causado pelas agressões.
O cachorro teria sido agredido por um grupo de adolescentes. Dois dos investigados pelo crime estavam nos Estados Unidos, em uma viagem escolar à Disney, e retornaram ao Brasil nesta quinta-feira (29). Eles tiveram celulares e roupas apreendidos pela Polícia Civil e foram intimados a prestar depoimento.
As autoridades também apuram se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário, na mesma praia, no início de janeiro.